A missão do Coritiba hoje às 19h30 contra o Operário, no Couto Pereira, é evitar que os focos de incêndio que surgem a cada dia intramuros do CT da Graciosa atrapalhem o time a garantir a manutenção da liderança do Campeonato Paranaense. O último deles aconteceu na tarde de ontem quando o atacante Deivid, em função do atraso no pagamento de parcelas dos direitos de imagem entrou na justiça contra o clube para rescindir seu vínculo contratual, com uma pedida superior à R$12 milhões, e não veste mais a camisa alviverde.

Além dos direitos de imagem, dos quais foram pagos somente duas parcelas desde que o jogador desembarcou no Alto da Glória, em agosto de 2012, Deivid também reivindica na justiça outras pendências relacionadas ao impasse. Para alcançar as cifras de R$12.563.199,00 pedidas pela defesa do atleta e que constam no processo, que é público e está disponível na internet, foram calculados também atraso salarial, FGTS, 13.º salário e bonificações. Além disso, em função da longa demora por parte da diretoria para encontrar uma solução, Deivid também pede indenização por danos morais. ‘Pedimos em caráter liminar a rescisão do contrato, para que ele possa trabalhar por outro clube enquanto for discutido quem deve pra quem. Entendemos que direito de imagem nada mais é do que salário, e se o clube não usou a imagem o problema é dele, aquilo que você contrata é aquilo que você tem que cumprir. Existe atrasos do fundo de garantia, gratificações e bonificações. O oficial de justiça deu cinco dias para que o Coritiba se manifeste e prove que estou errada e só tem uma maneira para isso: mostrar que pagou’, afirma a advogada Gislaine Nunes.

O agente de Deivid, Felipe Carrilho ressalta que o jogador não deixou que a situação extracampo atrapalhasse seu rendimento dentro dos gramados. ‘O Deivid foi profissional ao extremo, cumprindo com suas obrigações e honrando a camisa do Coritiba todas as vezes que entrou em campo. O respeito com que foi tratado pela torcida neste ano e meio comprova isso’, disse.

Sem contestar o direito do atacante, que deixa o clube com 18 gols anotados em 47 partidas, bem como uma possível falha por parte da diretoria quando firmado o contrato, ainda na era Felipe Ximenes-, o vice de futebol Paulo Thomaz de Aquino lamenta os contornos que a situação tomou. ‘Ele acabou de uma forma jurídica buscando seus direitos e interrompendo seu contrato. Entendo que ele poderia ter vindo até nós que rescindiríamos o contrato dele sem o menor problema. O Coritiba é muito maior que o Deivid, muito maior que todos nós. A vida segue, temos outros jogadores, outras opções, e o Deivid passa a buscar outros horizontes’, garante o dirigente.

Além de Deivid, o Coritiba também mantém contrato de direitos de imagem com os zagueiros Leandro Almeida e Chico, o meia Lincoln e o atacante Keirrison – igualmente atrasados, e sobre os quais o clube busca uma solução.