O Coritiba decidiu protestar contra o que ele chama de “desserviço à população do Paraná”. Em nota oficial, publicada ontem no site do clube, e endereçada ao governador Beto Richa, a diretoria alviverde tacha de “ilegal e imoral” o contrato assinado quarta-feira entre governos estadual, Prefeitura de Curitiba e Atlético. O acordo, que ainda depende de votação da Câmara de Vereadores, visa colocar R$ 123 milhões de verba pública nas obras da Arena da Baixada – estádio escolhido para sediar jogos da Copa de 2014, em Curitiba. Para o presidente Vilson Ribeiro de Andrade, há falta de transparência no processo, principalmente por parte do poder publico. “Faltou bom senso por parte do poder publico. E o que não dá para entender é que o Paraná, segundo o próprio governo, vive um momento difícil, e mesmo assim libera R$130 milhões para uma entidade privada, enquanto faltam recursos em hospitais e na nossa educação. É um desserviço à população”, alega.

O clube entende que o processo foi conduzido de forma equivocada e, inclusive, com agravantes, na medida em que milhares de contribuintes estão sendo prejudicados em prol de uma instituição privada. O dirigente ainda deixa claro que sua insatisfação não se dá por se tratar do rival Atlético, e sim por ser uma imoralidade com o povo paranaense. “Na realidade, a posição do Coritiba é a atitude que todo cidadão e contribuinte deveria ter. É o mesmo sentimento de alguém que sai de manhã para trabalhar, e pega um ônibus superlotado, ou de uma mãe que precisa deixar seu filho numa creche e não encontra vagas. O sentimento é de revolta”, dispara o presidente.

Na visão do dirigente alviverde, o princípio de isonomia não foi respeitado a partir do momento em que somente o Atlético foi beneficiado com repasses do potencial construtivo – saída encontrada para viabilizar a reforma do estádio rubro-negro com recursos públicos. Com isso, reclama Vilson Ribeiro, houve um processo discriminatório com as demais entidades esportivas, as quais enfrentam as mesmas dificuldades do Atlético em captar recursos para fazer melhorias em seus patrimônios. Ainda assim, o dirigente destacou que o Coritiba inicia a partir de janeiro uma importante obra no Couto Pereira, que é a revitalização da reta da Mauá. “Esta deveria ser a obrigação de todos os clubes: fazer uma engenharia de recursos próprios, com a ajuda e o sacrifício de sua torcida. Um clube é uma instituição privada, que vive, ou deveria viver, da contribuição de seus sócios”, finaliza, indignado.