Não achem que o Coritiba é vice-lanterna do Campeonato Brasileiro, com 15 pontos, porque perdeu ontem para o Atlético-MG por 2×1 no estádio Independência, em Belo Horizonte. Fossem todos os jogos do Coxa assim e o time não estaria entre os piores (o segundo pior, no caso) do Brasileirão. Com o elenco que apenas agora conseguiu, o time reúne condições técnicas para sair da zona de rebaixamento. Só que já se passaram 15 rodadas. Já se foram pontos ridículos perdidos, incluindo uma derrota para o lanterna América-MG neste mesmo estádio. E é um dos últimos colocados principalmente porque quem comanda o clube não dá tranquilidade para Pachequinho e os jogadores trabalharem.

Perder para o Galo é normal. A diferença de elenco é assustadora. Victor, Douglas Santos, Rafael Carioca, Maicosuel, Robinho, Fred, Lucas Pratto, Clayton – todos destaques do futebol brasileiro nos últimos anos. O futebol até tem surpresas, mas o natural é o Coxa perder para essa equipe. Ainda mais quando Robinho vive uma fase encantada. Fez os dois gols do jogo, o primeiro de cabeça após cruzamento de Eduardo, e o segundo de dentro da pequena área após jogada de Clayton pela direita.

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Taticamente o Coritiba foi organizado. “Na minha opinião, fizemos uma boa partida”, comentou Kléber, em entrevista ao programa Bem, Amigos, do SporTV. Pachequinho armou o time com três volantes, fechou as jogadas pelo meio do Atlético-MG e começou a levar perigo. Carlinhos voltava a atuar bem, Kazim incomodava, Alan Santos se aproximava da área e Kléber ganhava os duelos individuais. Quando era superior, cometeu o primeiro erro de marcação e sofreu o gol no primeiro tempo.

Em desvantagem, o Coxa foi para a luta no segundo tempo. Teve méritos por não se desorganizar na maior parte do tempo, mas é evidente o nervosismo. Que vem de cima, de uma série de decisões desencontradas de quem comanda o clube, que não passa confiança para Pachequinho, que chegou ao décimo jogo sem saber se vai sair ou se vai continuar, que teve uma série de trocas no topo da cadeia de poder por falta de entrosamento entre os cartolas, e que deságua numa pressão que é naturalmente passada ao time – não adianta, o Coritiba já começa a partida tenso além da conta, um problema emocional que se soma à fragilidade de parte do elenco. “A gente precisa ter tranquilidade”, resume Kléber.

E é esta série de problemas que faz o time perder pontos para América-MG, Botafogo, Figueirense. Que impede de marcar contra o Internacional. Que faz perder vitórias contra Santos e Corinthians. É o time, mas não é só o time. É o treinador, mas não é só o treinador. É o emocional, mas não é só o emocional. É a diretoria, com grande parcela. E o que é certo é que não vai ser trocando nomes e peças no elenco e na comissão técnica que o problema vai se resolver. Ou o Coxa acorda como clube, principalmente nas salas climatizadas do Couto Pereira, ou vai continuar fazendo seu torcedor sofrer como ontem.

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