Se o Coritiba fosse uma pessoa, se chamaria Dirceu Krüger. É esse o tamanho da perda do maior jogador da história do clube. Krüger faleceu aos 74 anos na manhã desta quinta-feira (25), após complicações derivadas de uma cirurgia na região abdominal.

Foram mais de 50 anos de história ligada. Na verdade, foram 53 anos de relação, desde 1966, quando ele foi contratado junto ao Britânia. Krüger fez parte daquela que foi a maior geração do Coxa – ele estava, na verdade, na origem desse time, que foi oito vezes campeão estadual em nove anos e ainda ganhou o Torneio do Povo em 1973.

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Mas Dirceu Krüger era mais do que um jogador. Rapidamente se tornou símbolo do Coritiba. Gols, títulos e a sempre lembrada história do interesse do Vasco – que queria Krüger, mas levou Kosilek – foram criando uma relação impressionante com a torcida. Era o Flecha Loira.

E essa história ganhou contornos dramáticos em 1970, quando ele sofreu um rompimento das alças intestinais num choque com o goleiro Leopoldo, do Água Verde. Krüger chegou a receber a extrema-unção, teve seu quarto de hospital transformado em um local de orações de torcedores e dirigentes de todos os clubes. E sobreviveu, como a Tribuna contou em detalhes numa das matérias especiais com ele.

Voltou a jogar, voltou a ser decisivo, foi mais ídolo do que nunca – e num time com Jairo, Hermes, Nilo, Hidalgo, Negreiros, Paquito, Tião Abatiá, Zé Roberto e Aladim. Foi assim até 1976, quando encerrou a carreira para virar diretamente auxiliar técnico.

E foi como auxiliar, treinador interino, treinador efetivo, coordenador e consultor que continuou trabalhando no Coritiba, que se tornou mais que um trabalho, e sim sua vida. Quem viveu o Coxa sabe que poderia ver a qualquer momento aquele senhor de cabelos brancos e de muita história.

Estátua de Dirceu Krüger no Couto Pereira já recebeu flores dos torcedores. Foto: Cristian Toledo
Estátua de Dirceu Krüger no Couto Pereira já recebeu flores dos torcedores. Foto: Cristian Toledo

O Flecha Loira era mais que um homem, era uma história que emocionava e inspirava gerações de coxas-brancas. A estátua em sua homenagem, inaugurada em 2016, eternizou a relação dele com o clube.

Nos últimos anos, Krüger vinha gradativamente se afastando do dia a dia do clube. Seguia como funcionário, mas com menos responsabilidades. Há duas semanas, uma obstrução intestinal levou o Flecha ao hospital e a uma delicada intervenção cirúrgica. Ele chegou a se recuperar e recebeu alta, mas o problema voltou, ele foi novamente internado, mas não resistiu.

O Flecha Loira morreu, mas ele será lembrado a cada jogo em que o Coritiba estiver em campo, a cada grito do seu torcedor. Afinal, se o Coritiba fosse uma pessoa, se chamara Dirceu Krüger.

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