A negociação para a rescisão do contrato de Kléber aliviou os cofres do Coritiba, mas em uma situação momentânea. Com um salário girando em torno de R$ 250 mil por mês, o clube estendeu o pagamento de quase R$ 2 milhões que teria até o final da temporada para serem pagos a partir de agora em quatro anos. O que gerou um outro problema.

Para ter mais dinheiro para não acumular dívidas, e ao mesmo tempo poder trazer mais reforços, a diretoria do Coxa acabou fazendo aquilo que vem criticando das gestões atuais, de deixar dívidas para administrações futuras. Isto porque o mandato do atual presidente, Samir Namur, termina em dezembro de 2020, enquanto os pagamentos do Gladiador vão até julho de 2022.

Ou seja, caso o mandatário não seja reeleito daqui dois anos e meio, quem assumir o Alviverde terá que arcar com este pagamento, que, teoricamente, não deveria estar previsto.

Na semana passada, em uma carta para os sócios, Namur afirmou que as dificuldades da equipe atualmente na Série B se devem ao fato de boa parte do orçamento já estar comprometido, em virtude de dívidas deixadas por Vilson Ribeiro de Andrade e Rogério Bacellar.

“Uma hora a conta chega. E quando essa conta chega para um clube de futebol, é justamente da folha de pagamento dos atletas que esse dinheiro sai. Não à toa as últimas duas gestões tiveram contas reprovadas pelo Conselho Deliberativo. Equilíbrio financeiro com gestão de dívidas e cumprimento do orçamento eram fundamentais; gastar só o disponível se fazia necessários”, dizia parte da carta.

Em maio, o presidente já havia exposto algumas dívidas trabalhistas de anos atrás, que comprometem a receita atual do Alviverde. Valores que estão sendo pagos a ex-jogadores do time e que aceitaram um acordo para parcelar estes pagamentos. Uma questão que vai virando uma bola de neve.

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Embora a quantia de Kléber seja mínima em relação às demais dívidas atuais do clube – após o término do mandato de Samir Namur, o Coritiba terá que pagar ainda mais R$ 750 mil -, outras situações semelhantes podem acontecer, como com o atacante Alecsandro, que tem um dos maiores salários do elenco e está encostado, à disposição para uma negociação. Porém, para dispensá-lo, a diretoria pode tomar a mesma medida que teve com o Gladiador e isso pode se repetir com outros nomes até o final de 2020. Eventualmente, o atual mandatário pode seguir até 2023, mas aí dependerá dos resultados em campo, o que não é garantia nenhuma em duas temporadas.

Só que o discurso da atual diretoria não bate com as atitudes, uma vez que vem cometendo erros semelhantes às das administrações anteriores, mas que não são explicados justamente pelo fato de o presidente não falar com a imprensa, optando por responder apenas questões selecionadas de torcedores, fugindo de possíveis polêmicas.