Não há como negar que o Coritiba saiu aliviado do Superior Tribunal de Justiça Desportiva com a redução da pena de 30 para 10 mandos de campo. Mas a sensação de vitória é parcial, uma vez que a punição foi a máxima, prevista pelo artigo no qual o Alviverde foi denunciado e também a maior da história da justiça desportiva brasileira. Tanto que o clube estuda a possibilidade de entrar com recurso contra a nova pena.

Especialistas em direito esportivo ouvidos pelo Paraná Online concordam que o resultado poderia ser menos traumático para o Alviverde. “Os auditores entenderam a postura da defesa do Coritiba, de que a alteração do Código (Brasileiro de Justiça Desportiva) beneficiava o clube”, disse o advogado e ex-diretor do próprio Coxa, Domingos Moro, referindo-se à aplicação única da pena do artigo 213, e não em três vezes, como havia ocorrido no primeiro julgamento.

Para ele, o clube ainda corria o risco de ver mantida a pena de 30 mandos daí a sensação de vitória parcial. Mas poderia, também, ter pena inferior aos 10 mandos.

“O STJD foi inteligente. Se mantivesse a repartição da denúncia em três poderia levar a discussão à Justiça Comum, o que seria complicado”, disse, acrescentando que o problema para o Coxa foi o resultado do primeiro julgamento, ainda sob o calor das imagens da selvageria. “O clube não teve a mesma habilidade do segundo julgamento para derrubar a tese da repartição da denúncia. Se naquela ocasião pegasse 10 jogos de pena, poderia reduzi-la agora para 5 ou 6”, acredita.

Para o advogado e jornalista Augusto Mafuz, a pena teria obrigatoriamente que cair ele considera a divisão da denúncia uma “invenção” da Procuradoria. Sob este prisma, o resultado foi uma derrota coxa-branca. “O Coritiba não foi lá só pra que aplicassem o novo código, mas também para reduzir a pena máxima de 10 jogos. E os argumentos da defesa foram totalmente ignorados”, disse o colunista do Paraná Online, lembrando que apenas um auditor (Alberto Puga) propôs pena menor (9 jogos). Mafuz acredita que, por isso, o Coxa tem o direito de pedir revisão do julgamento. “Nenhuma prova do Coritiba foi levada em conta”, justifica.

Mesmo assim, Mafuz a exemplo de Moro – considera muito remota a chance do Coxa modificar o resultado do julgamento de ontem.