Arquivo
Ênio Andrade: gênio das táticas.

Quando o zagueiro Gomes pegou a bola já na madrugada daquele 1.º de agosto de 1985, uma cidade inteira parou, respirou mais forte antes de soltar o grito de campeão brasileiro.

O Coritiba já tinha o Torneio do Povo, mas precisava de um troféu mais importante e ele veio naquela decisão contra o Bangu.

De um time desacreditado, o Alviverde virou uma máquina que foi eliminando um a um seus adversários no Couto Pereira e fora dele. Flamengo, Cruzeiro, São Paulo foram caindo até restar o Bangu numa partida única e inesquecível para todos os torcedores do Coxa, mesmo 25 anos depois.

A estimativa da época é que cerca de 20 mil torcedores foram ao Maracanã apoiar o Coxa. Entraram nessa soma quem foi por conta própria, mas também muita gente incentivada por políticos e por promoções, como a da Rádio Clube, que colocaram ônibus e ingressos à disposição da galera. Teve até avião fretado.

O esforço valeu a pena, por que o pênalti cobrado por Gomes sacramentou a tão sonhada estrela dourada que até hoje orgulha os coxas-brancas. Antes disso, o time teve que se desdobrar para vencer a desconfiança do resto do país, que não acreditava que um time paranaense um dia pudesse ser campeão nacional.

Muita gente tentou desmerecer a façanha e o argumento era que o futebol brasileiro, há 25 anos, vivia um período de depressão por causa da derrocada na Copa do Mundo de 1982. Verdade ou não, o certo é que até atleticano comemorou.

“Este título do Coritiba, de um time de tradição, mas interiorano, é um título da democracia, um título da Nova República, um título para todo mundo.

Obrigado, Coritiba, por essa alegria. Você esteve à altura do teu destino”, escreveu Paulo Leminski, em artigo à revista Placar, logo após a conquista. Nas ruas, a torcida deixou de lado a timidez e comemorou a valer com os craques Rafael, Lela, Tóbi e todos os outros que construíram a façanha.

Arquivo
Na tarde de 1.º de agosto de 1985, Curitiba parou. O desfile dos campeões congestionou as ruas do aeroporto Afonso Pena até o Alto da Glória. Dizem, até atleticano aplaudiu.