A frustração de domingo – com a precoce eliminação no Paranaense – deu espaço à apreensão na nação coxa-branca. O tropeço diante do Maringá abreviou a vida do Coritiba no Campeonato Paranaense e caiu como uma “bomba” sobre o capitão Alex. Abatido e sem dormir, o ídolo admite que está repensando o futuro e não descarta antecipar uma aposentadoria, inicialmente programada para o final do ano. O assunto tomou conta das redes sociais e gerou uma mobilização de torcedores e amantes do bom futebol. Já foi criado até um grupo no Facebook “Fica Alex”.

Alex, independente da campanha irregular do Verdão, ainda é apontado como uma ilha de talento. Não apenas no futebol paranaense, mas também no instável mercado nacional. Aos 36 anos, o camisa 10 foi responsável pelos raros momentos de bom futebol do Coritiba neste Estadual, que terminou de forma melancólica para o clube, antes apontado como o grande favorito ao penta. Foi apenas mais um capítulo de uma história tumultuada e bem distante daquela idealizada por Alex em 2012, quando decidiu retornar ao seu clube do coração.

Histórico

Com Alex, o Coritiba levantou o tetra, no ano passado, mas tropeçou na Copa do Brasil e viveu boa parte do Brasileiro sob o risco da degola. Um quadro que expôs problemas maiores, como os salários atrasados e uma consequente crise de relacionamento entre elenco de jogadores e a diretoria alviverde. A preocupação com o futebol brasileiro de uma forma geral fez com que o Garoto de Ouro do Alto da Glória se transformasse na “cara” do Bom Senso, um movimento inédito de atletas, com o objetivo de moralizar e organizar calendário e clubes.

2014 se apresentou com novos pontos de desgaste no Coritiba. Deivid abandonou o clube, escancarando os atrasos. Uma carta revelou uma crise de relacionamento entre o grupo de jogadores e o presidente Vilson Ribeiro de Andrade. Paralelamente a isso, time sofria com as baixas – além de Deivid, Júnior Urso e Willian foram negociados – e seguia no Estadual sem conseguir apresentar um padrão de jogo confiável. Apesar de todos esses problemas, o torcedor acreditava no título, muito por conta da presença de Alex e de sua capacidade de desequilibrar jogos.

Foi assim que o Coritiba superou o Rio Branco, nas quartas de final – Alex fez três dos quatro gols do time nos confrontos – e chegou à semifinal. Só que frente ao Maringá, a estrela de Alex não brilhou. E a eliminação deixou o craque pensativo quanto ao futuro, trazendo à tona o desejo de encerrar uma carreira vitoriosa e praticamente irretocável. “Já faz alguns anos que penso em parar. Hoje (ontem) ainda estou mastigando tudo o que está acontecendo. Não me decidi, ainda”, avisou o ídolo coxa-branca.

Expectativa

Ao torcedor, resta a esperança de que o impacto da eliminação no Paranaense seja superado e que Alex, ao menos, cumpra o seu contrato até o final do ano. “Ele não nos disse nada. Contamos com ele como o capitão e a referência do time também no Brasileiro”, cravou o vice Paulo Thomaz de Aquino. Mais do que pensar em comando técnico ou reforços, a prioridade no Couto Pereira, hoje, é trabalhar para a permanência de Alex. Em meio aos muitos questionamentos sobre o momento do Coritiba, um ponto não deixa dúvidas: na condição de ídolo e líder, Alex é imprescindível para o Verdão.