Tanto se falou em 2009 sobre o futebol do meia Geraldo, que a torcida criou uma expectativa em torno da estreia do angolano com a camisa do Coritiba. Por ser menor de idade, ele não pôde atuar.

Mas agora, aos 18 anos, já tirou a carteira de trabalho e espera a regularização do contrato na CBF para ficar à disposição do técnico Ney Franco. Este, por sinal, ressalta que o africano está amadurecendo rápido e pode se tornar uma das revelações do futebol brasileiro com a camisa do Coxa. No sábado, contra o Serrano, o atleta tem boas chances de figurar no banco de reservas.

“O Geraldo ainda é um garoto, não é uma realidade. Mas tem potencial, é um jogador que tenho usado aos poucos. Criou-se uma expectativa em relação ao torcedor, à comissão técnica”, analisa o treinador.

Para Ney, isso requer muito cuidados para não queimar o talento do meia. “É um atleta em que não podemos jogar toda a responsabilidade. Mas o Geraldo tem nessa temporada a possibilidade de se apresentar bem e, de repente, ser uma das revelações”, projeta o técnico do Coritiba.

Atento

Mesmo assim, o angolano não se intimida com toda essa expectativa. “Encaro como sendo bom para mim. Espero corresponder sobre aquilo que falam de mim. Estou trabalhando para que no campo corresponda com o que dizem”, avisa o meia, que por sinal, não se chama Geraldo.

Batizado de Hermenegildo Bartolomeu, ele ganhou o apelido de Geraldo por lembrar um outro jogador angolano. Mas não tem preferências por nome nenhum, tanto que alguns companheiros o chamam de Hermenegildo mesmo.

Em campo, ele chegou como meia, mas começou a se adiantar um pouco e está gostando. “A princípio, atuava de meia. Acabei acostumando a jogar agora de meia-atacante, que é uma posição que venho me adaptando bastante. Espero render muito nessa posição”, destaca. E uma motivação a mais para ele querer mostrar futebol é poder se destacar para chegar à seleção angolana.

“Meu maior sonho é disputar uma Copa do Mundo. Espero disputar aqui no Brasil em 2014. No momento, estou sendo conhecido agora e quando for jogar eles (a federação de Angola) terão mais conhecimento ainda”, aponta.

Adaptado

E o Brasil, que tal? “Estou há dois, a caminho de três anos. É um país muito bom. Tem a ver um pouco com a cultura angolana, me adaptei muito bem, embora tenha vindo para uma cidade muito fria. Angola é muito quente. Mas acabo acostumando. E tudo é a mesma coisa, comida, tem tudo a ver com Angola”, avalia Geraldo.

Longe de casa, ele acompanha as notícias como o atentado contra a seleção de Togo e assiste a Copa Africana pela televisão. “Cabinda quer ser um país e Angola outro, mas Cabinda é um estado de Angola e por isso sempre dá essas confusões”, diz.