Abatido, Juan entrou na sala. Nem de longe parecia o cara exaltado que xingou Pachequinho após ser substituído na partida contra o Atlético-MG, na segunda-feira (18). Logo atrás dele, o diretor de futebol do Coritiba Alex Brasil. Enquanto o jogador mantinha o ar sério, o diretor tentava transparecer um clima de tranquilidade. Juan não respondeu perguntas, apenas fez um pronunciamento. Em pouco menos de três minutos, em um discurso que parecia decorado, o meia pediu desculpas.

Foi isso, na íntegra, que Juan falou: “Estou aqui para me retratar. Todos vocês já sabem, eu estou aqui para assumir o meu erro e para pedir desculpas. Em primeiro lugar, ao Pacheco, como pessoa e como técnico. Eu acho que fui desrespeitoso com as duas figuras, tanto o ser humano como o treinador. Quero pedir desculpas também para a diretoria, ao clube como instituição, a todos os membros da comissão técnica e aos meus companheiros por essa atitude errada que eu tive, tomada de cabeça quente, no calor do jogo, de um jogador que está extremamente incomodado com a situação em que o time se encontra na tabela, de não concordar e de não querer ver nessa situação. Então acabei tendo essa atitude errada e por conta disso que no calor do jogo, de querer ajudar e de poder dar um algo a mais pelo time, de ajudar a tirar o Coritiba dessa situação… Eu queria realmente me retratar e dizer que eu estou realmente arrependido do que fiz, ainda mais por um clube que tenho um carinho muito grande e sinto prazer de trabalhar, que abriu as portas para mim em um momento difícil, em um momento que eu estava sem jogar e confiou no meu trabalho, então eu tenho muito respeito e carinho pelo Coritiba. Isso me deixa ainda mais arrependido pela postura que tive. Sei o quanto isso foi errado e ruim para todos que estão em volta do futebol, do trabalho, do clube, de tudo. Eu estou aqui para, mais uma vez, pedir minhas sinceras desculpas”.

E saiu – de cabeça baixa – por uma porta ao lado, entrou no carro e foi embora.

Não conversou com nenhum dos colegas do time, que até aquele momento, não sabiam que o diretor de futebol do clube anunciava que Juan estava com contrato suspenso por dez dias. A decisão foi tomada após uma conversa de três horas com o jogador, Alex Brasil e outros membros da diretoria coxa-branca, que ocorreu na terça-feira (19). A verdade é que sairia muito caro para o Coxa perder o meia. A rescisão do contrato ia gerar uma multa, a contratação de outro jogador seria mais um gasto – além de que, Juan é, sem dúvida, um dos melhores do time.

Pensando bem, até mesmo a suspensão do jogador por dez dias é ruim para o clube na atual circunstância, apesar de necessária. “Todos saem perdendo, mas temos outras coisas a serem analisadas. Eu não compactuei com o episódio em si. A punição foi feita, é isso. Dentro daquilo que entendemos ser bom para o clube, no dia a dia, essa foi a decisão mais sensata que nós tomamos”, disse Alex Brasil. Nesse tempo, o meia não poderá frequentar as instalações do Coxa. Não treina, não joga e não recebe. No fim, uma folga de dez dias e mais um problema para Pachequinho para escolher quem vai substituí-lo no jogo contra o Santa Cruz, no sábado (23), em Recife.

Os dois, inclusive, não se falaram depois do ocorrido. Pacheco ficou sabendo da suspensão do atleta pelo diretor de futebol. Não opinou e está avisado que não poderá haver retaliações. O encontro mesmo deve ser no retorno do jogador, um dia antes da partida contra o Flamengo, no Couto Pereira, no dia 31 de julho – do qual Juan não vai participar.

O restante do time ficou sabendo da suspensão do colega em uma conversa rápida com o vice-presidente José Fernando Macedo e com Alex Brasil, ,na capela do clube. Tudo parecia tranquilo. Mas é certo que as feridas ficaram.

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