Neste domingo que passou (31), era o dia do Coritiba estar totalmente focado para a partida que estava prestes a acontecer. Afinal, jogo às 16h, horário perfeito, previsão de tempo bom e adversário de respeito, o Flamengo. Mas apesar de terem passado oito dias entre a vitória sobre o Santa Cruz e está partida, o futebol não foi o tema principal no Alto da Glória. Muito pelo contrário. O futebol foi deixado em último plano. E o Coxa perdeu. E voltou à zona de rebaixamento do Campeonato Brasileiro.

A derrota fez com que ficasse mais difícil entender a diretoria alviverde ao tratar insistentemente do assunto novo estádio. Antes de mais nada, é preciso dizer que não está errado o Coxa pensar em um novo local (seja onde for) e uma arena moderna. É uma necessidade que mais cedo ou mais tarde vai exigir ser discutida. Mas existem momentos e momentos para tratar das coisas.

Vou dar um exemplo: um familiar muito próximo está na UTI, passando por severas dificuldades de saúde. E enquanto o cidadão está sendo tratado, e a maioria dos especialistas está preocupada com seu estado, três médicos ficam discutindo onde o internado vai morar em 2018. É bom saber se ele vai se mudar, mas é mais importante fazer de tudo para salvar quem está doente. Vai adiantar a casa nova se o dono não estiver por lá?

O Coritiba está doente. Há cinco anos o time apenas entra no Campeonato Brasileiro para não ser rebaixado. No estado, a hegemonia se foi, inclusive perdendo dois títulos seguidos dentro do Couto Pereira. O Coxa chegou a ser o vice-lanterna, a torcida estava desesperada, havia uma séria crise de relacionamento entre o técnico interino Pachequinho e o meia Juan. E ainda a situação do próprio Pacheco, que não sabe se vai ser ou não efetivado no cargo.

Em meio a essa situação, a diretoria do Coritiba só veio a público falar de novo estádio. Diretoria sim, porque o vice-presidente Alceni Guerra é parte da direção e foi quem mais falou – quer dizer, só falou – sobre o tema. Mesmo com o cancelamento da entrevista coletiva marcada para tratar (do que?) de estádio, Alceni continuou falando, dando entrevistas e falando detalhes do projeto, como a obrigatoriedade do teto retrátil.

Nem de algo que poderia ter mais divulgação Alceni Guerra falou, que foi a entrega para a CBF da certidão negativa de débitos e de quitação de salários de todos os funcionários. É uma ótima notícia para o clube, que ficou escondida no pé de página porque o vice-presidente, que foi justamente quem levou a documentação pra CBF, não falou do assunto.

E do futebol, e possíveis contratações, e a situação de Juan, a situação de Pachequinho? E a luta para fugir do rebaixamento? Por que Alceni não fala sobre isso? E porque o presidente Rogério Bacellar não fala? Fica tudo concentrado no diretor remunerado Alex Brasil, que não tem dois meses de clube e não tem caneta nem poder para tratar de assuntos que são do alcance de quem foi eleito para comandar o Coxa.

É sobre isso que o torcedor quer saber. Quer parar de sofrer, parar de ver seu time só na parte de baixo da tabela. Quer ver a equipe encarar evencer e subir mais na classificação. Estádio novo é importante, mas não é assunto para agora. Agora é bola.

Pareceu, como dizem na política, uma “manobra diversionista”. E de política Alceni sabe, porque militou por anos no setor. Como se falar de uma obra gigante fizesse o torcedor esquecer do mau momento no futebol. Se isso funcionou antes, hoje não funciona mais.

Pra completar

Depois deste texto pronto, surgiu agora uma incrível história, a de um empresário que se diz intermediário de chineses dispostos a investir R$ 700 milhões na construção de um novo estádio, internacionalizar a marca do Coritiba, comprar um clube nos Estados Unidos e também uma participação em um time da Suíça. Até hoje, a maior transação deste empresário era a ida de Zeballos para o Botafogo. Ele também trouxe Ivan González para o Atlético. Que tal?