Alto da Glória, Tarumã ou CIC? Um destes será o endereço do novo estádio do Coritiba, se a ideia apresentada pela diretoria realmente sair do papel. Mas qual deles é o mais viável para receber a nova casa do Coxa? Um especialista no assunto deu uma boa explicação, que pode deixar a torcida alviverde já com saudades do Alto da Glória.

Das três opções de local pensadas pelo Coritiba para a construção de um novo estádio, a do Alto da Glória é a mais inviável. Assim, restaria ao Coxa escolher entre as outras duas alternativas: o terreno do Pinheirão, no Tarumã; ou uma nova área na Cidade Industrial de Curitiba (CIC).

A análise é de Fábio Tadeu Araújo, sócio da consultoria Brain Bureau de Inteligência Corporativa, referência no ramo. “A capacidade de desenvolvimento imobiliário no terreno do Couto é nula”, crava Araújo. “Se você usa o espaço para colocar um estádio, não sobra espaço para torres de apartamentos e salas comerciais ao redor. No máximo algumas lojas. Não acredito na viabilidade disso. Seria quase como acreditar em Papai Noel”, reforça.

Além da questão das dimensões, restrições da prefeitura de Curitiba quanto à mobilidade urbana no entorno do estádio dificultam a construção de uma nova casa no local. Por outro lado, situado em região valorizada, o terreno no Alto da Glória garantiria ao Coxa o potencial de alavancar economicamente o novo estádio em outra área.

Em busca de investidores, o clube planeja dar como sua parte no negócio uma de suas três propriedades, ainda a ser definida: Couto Pereira, CT da Graciosa ou terreno em Campina Grande do Sul. “É o estádio melhor localizado na cidade em termos de valorização imobiliária. É a única real propriedade do clube para o empreendimento. O Coxa terá de escolher entre uma nova sede ou desistir de um novo estádio”, completa Araújo.

Viabilidade econômica

A crise econômica enfrentada pelo Brasil não seria impeditivo para o Coritiba planejar um novo estádio neste momento. “O planejamento leva tempo e independe disso. Agora, o pontapé inicial da obra dependerá de um momento econômico melhor. Talvez na época de conclusão do projeto isto já tenha acontecido”, ressalta Araújo.

A escolha em apostar em um fundo de investimentos para viabilizar o negócio, por sua vez, é interessante, garante o especialista. “Com a crise, o Brasil ficou barato. Neste cenário, há sempre gente disposta a investir e capitalizar em cima disso. Temos visto vários fundos de investimento fazendo associações.”

Por outro lado, a pretensão alviverde de ser sócio majoritário (51%) do empreendimento pode atrapalhar. “Ninguém quer deixar o negócio com o clube. Porque senão você investe dinheiro, mas não manda”, completa.

CIC ou Tarumã?

Segundo Araújo, CIC ou Tarumã oferecem ao clube e ao futuro investidor a possibilidade de construir áreas de comércio no entorno do estádio. “A escolha vai depender do preço e do potencial da área. As duas localidades têm terrenos grandes, com algumas diferenças”.

Contra o Tarumã, entretanto, pesa a construção, nas proximidades do Pinheirão, do shopping Jockey Plaza, o maior da cidade, que seria forte concorrente comercial do Coxa.