Nada de Claudinei Oliveira nem de Vágner Mancini. O Coritiba não apostou nem no seu favorito (Claudinei era um nome “sonhado”) nem no favorito da torcida (antes mesmo da demissão de Eduardo Baptista o ex-treinador do Vitória já era citado nas redes sociais). Vai com a turma da casa, efetivando Tcheco como técnico, tendo Márcio Goiano como auxiliar e Matheus Costa como um “super-assistente” – afinal, ano passado era ele o comandante do Paraná Clube com Tcheco a lhe assessorar. Ao preferir não correr os riscos de uma troca “consagrada”, o Coxa assume outros riscos.

Por incrível que possa parecer, trazer um nome consolidado não seria garantia de melhora para o time alviverde. Eduardo Baptista chegou com rodagem e com estofo para aguentar o rojão, mas não resistiu, foi fritado até ser mandado embora na última sexta-feira (10). Claudinei e Mancini, apesar de terem bons currículos – e especialmente Claudinei teria o perfil ideal para o momento -, precisariam de tempo para entender o que está acontecendo e implantar seu estilo no Alto da Glória.

Tcheco já conhece o elenco, sabe a realidade do clube – em todos os sentidos – e ainda tem o diferencial de ser uma marca do Coritiba, um dos principais jogadores da história recente do Coxa. Ele se cerca com Márcio Goiano, hoje o mais experiente dos profissionais da comissão técnica, e principalmente com Matheus Costa, que dá um passo atrás na carreira ao aceitar ser o auxiliar. Mas que se tenha a certeza que o comando será compartilhado, pois na verdade a intenção alviverde é usar as capacidades complementares dos dois, e a experiência em um ambiente tenso, que ambos viveram no Paraná pós-Lisca.

Matheus Costa e Tcheco nos tempos de Paraná Clube. Foto: Daniel Caron
Matheus Costa e Tcheco. Agora eles invertem os papeis. Foto: Daniel Caron

Olhando por essa perspectiva, o Coritiba age tentando minimizar o risco – e também economizando, o que ajuda muito no atual estágio do clube. Mas apostar em Tcheco a este momento da temporada é também um risco, pois a situação na Série B pode “não ser desesperadora”, usando os termos do presidente Samir Namur, mas é muito complicada. Por mais que o Coxa esteja a dois pontos do G4, a campanha é ruim, o décimo lugar na competição escancara isso. E será preciso fazer o que não se fez em toda a temporada – formar uma equipe confiável, que enfim encaixe uma sequência de resultados neste segundo turno.

Escalado sempre como “bombeiro”, Tcheco agora parte para uma maratona. Terá que ser mais que o motivador, o cara que é o exemplo para o vestiário. Vai precisar criar uma identidade de time que o Coritiba ainda não tem. Terá que decidir se os jogadores contratados vão assumir a bronca de vez ou dar novamente força aos garotos da base. Terá que decidir se os atletas afastados ainda podem ser úteis – e, querendo ou não, já fica a dúvida se Alecsandro vai ou não voltar para o elenco. E vai assumir a bronca de liderar um grupo questionado e sobre o qual não se carregam muitas esperanças.

Confira a tabela e a classificação da Série B!

É a cartada definitiva da diretoria liderada por Samir Namur. Apesar do discurso sereno da coletiva desta segunda-feira (13), o presidente sabe que é sobre ele e seu G5 que recaem as maiores críticas – e as maiores obrigações. Será preciso errar muito menos do que se errou nestes oito meses para que o Coritiba encontre o caminho do acesso para a primeira divisão. Voltar para a Série A é obrigação e necessidade para o Coxa. E o acesso é plenamente viável, apesar das falhas de planejamento. Mas se isso não acontecer, bons resultados administrativos não vão amenizar a situação.