O Coritiba já tem um novo técnico: Marcelo Oliveira. A mudança no comando era uma questão de tempo. É bem verdade que o rendimento alviverde, com apenas uma vitória nos últimos dez jogos, conspirava contra Pachequinho. Mas a saída dele apenas reforça a falta de convicção do departamento de futebol alviverde, que segue sendo vulnerável às pressões externas e claramente quer “jogar pra galera”, fugindo das responsabilidades sempre que pode.

Pachequinho mais uma vez foi vítima da péssima conduta da diretoria. É só recuperar o que Ernesto Pedroso disse à rádio Banda B após a derrota para a Ponte Preta por 4×0 nesta quarta-feira (19). “Nós já estávamos em uma posição delicada há algumas semanas. Não buscamos um técnico (formalmente) por uma questão de ética, mas já estávamos em busca de um nome”. Sim, apenas se esperava a hora exata para a demissão do treinador, porque a busca já acontecia.

É bom lembrar que isso também aconteceu ano passado. Quando Pachequinho viveu sua segunda interinidade, Vágner Mancini foi procurado. Ele estava em Curitiba para comandar o Vitória contra o Atlético e negou a proposta alviverde. Enquanto isso, Pacheco treinava o Coxa. Agora aconteceu a mesma coisa, apesar de não ter acontecido um acordo, com a diretoria optando por Marcelo Oliveira. Mas o que esperar do comando do clube, se o técnico precisou ser campeão paranaense para só aí ser efetivado.

Não significa que o agora ex-treinador não tenha cometido erros. Apesar de ter sido responsável pelos melhores momentos do time na temporada, Pachequinho ficou preso ao sistema de jogo que implantou, e quando tentou mudá-lo, no jogo contra a Ponte, deu tudo errado. Mas de forma alguma ele é o único responsável pela fase do Coritiba no Campeonato Brasileiro.

Houve uma queda técnica evidente em vários jogadores. A lateral-direita não tem uma afirmação, Werley (por incrível que pareça) está fazendo falta na zaga, Alan Santos é uma ausência fundamental no meio, Anderson e Neto Berola não têm sequência, Matheus Galdezani só voltou a jogar bem nas últimas partidas, Henrique Almeida e Alecsandro estão devendo… E ainda faltam dez jogos para Kléber voltar.

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E a diretoria do Coxa também criou uma expectativa pra lá de desnecessária. A declaração do presidente Rogério Bacellar antes do Brasileirão mostra como o clube não teve o discernimento necessário para encarar a competição. “Nosso elenco é farto de craques. Pode pegar Flamengo, Corinthians, verifiquem se eles têm um Kléber fazendo gols como está, um Henrique Almeida voltando, o Galdezani jogando muito, o Anderson voltando a ser um grande jogador, o Wilson no gol pegando tudo”.

Sim, Flamengo e Corinthians têm. O Coritiba não é nem o time que vai ter 80% de aproveitamento das primeiras rodadas, muito menos essa equipe que vence só um jogo em dez. É uma equipe regular, que pode sim brigar pelo G6. Mas para isso precisará de todo o grupo à disposição, de reforços que venham pra jogar de verdade (pelo menos mais um zagueiro e um meia), de um novo técnico competente (Marcelo Oliveira é) e principalmente de um comando que faça mais e atrapalhe menos.