Já se passaram 23 rodadas da Série B, e quase oito meses desde 2018. E o Coritiba chega neste momento da temporada no mesmo estágio em que estava no final do ano passado: perdido, sem noção do que pode ser feito para arrumar a casa. Assim como diretorias anteriores, o atual comando alviverde se preocupou muito com o que não interessava de verdade, e deixou o futebol no “piloto automático”. Deu errado na gestão de Vilson Ribeiro de Andrade, deu errado na de Rogério Bacellar, está dando agora.

Por sinal, a diretoria que se esforça para se dizer diferente das anteriores, e pra dizer que a “herança maldita” só atrapalha, vem cometendo os mesmos erros. Principalmente no departamento de futebol. Contrata-se muito e contrata-se mal, falha-se no planejamento, não se tem convicção nas decisões, cria-se um clima de falso controle. Afinal, há duas semanas, quando tudo já era complicado, a situação “não era desesperadora”. E tudo isso vai desaguar no campo, em um time fraco, que foi eliminado na Copa do Brasil, perdeu o Campeonato Paranaense para o time alternativo do Atlético, e que agora está mais perto da zona de rebaixamento da Segundona do que do G4.

Ninguém esconde que os jogadores do Coritiba estão deixando muito a desejar. O rendimento é abaixo da crítica, com algumas das atuações mais fracas da história recente do clube. Mas isso acontece porque o elenco formado – que, segundo o presidente alviverde, foi avaliado pela antiga diretoria do departamento e aprovado pelos cartolas – prova todos os erros de planejamento.

Samir Namur aposta suas fichas em Tcheco pro comando técnico do Coxa. Foto: André Rodrigues.
O presidente Samir Namur. Foto: André Rodrigues.

É só ver a marcha da temporada do Coxa. Iniciou garantido apoio à base, inclusive com Sandro Forner como treinador. Não deu certo, e tudo foi virado do avesso, contratando um “medalhão”, Eduardo Baptista, e se trazendo um time novo de reforços (Leandro Silva, Rafael Lima, Uillian Correia). De novo deu errado, e de novo se aposta em um treinador a casa, Tcheco, e em mais contratações (Carlos Eduardo, Guilherme). E até agora também está dando errado.

Dos 16 jogadores que vieram, é impossível apontar algum deles que deu certo. Alguns são até titulares, mas não mostram qualidade suficiente. Enquanto isso, os garotos da casa foram perdendo espaço (alguns foram queimados) e hoje o Coritiba tem um time frágil, que não fez um grande jogo na temporada. E que é bem mais fraco que os times que estão lutando pelo acesso.

Outra prova da falta de rumo é que, em uma das tentativas de “revolução”, Alecsandro e Simião foram afastados. Em tese, não serviam mais. Uma semana depois, Simião era titular, e alguns dias mais tarde Alecsandro estava de volta. Afinal, o que quer o Coritiba? O que pensa quem comanda o Coritiba?

Confira a tabela e a classificação da Série B!

Faltam quinze jogos para terminar a Série B – já tem jogo nesta segunda-feira (27), contra o Brasil de Pelotas, fora de casa. Não vai ser possível contratar mais um time de jogadores, muito menos mandar quem não está jogando embora. Nesta encruzilhada, a única coisa certa é que o Coritiba precisa pensar em futebol. Esquecer a perfumaria, trazer para dentro do clube gente que entenda e lutar como nunca para subir para a primeira divisão. Porque muito se fala de austeridade financeira, mas o prejuízo de ficar mais um ano na Série B (ou de coisa pior) é incalculável.