Clássico. Aquele cujo valor é posto à prova pelo tempo. E lá se vão 20 anos que Coritiba e Paraná Clube provam a cada reencontro o brilho desse duelo. Em duas décadas de confrontos, os rivais já construíram um rico enredo de glórias, dramas e humilhações.

Sim, é covardia comparar com os 86 anos do Atletiba. Mas o Paratiba já acumulou cacife suficiente para criar aquela aura de magia própria dos grandes encontros. Sensação ligeiramente mais intensa para o público da faixa dos, digamos, 35 pra baixo – aqueles que cresceram presenciando clássicos inesquecíveis.

Em 1990, logo no batismo paranista, o Coxa fez 1 a 0 e a torcida cantou que o novo time só nasceu pra se dar mal (em outros termos, claro). Parecia verdade depois daqueles 4 a 0 pela 2ª Divisão de 1991, com direito a gol olímpico de Pachequinho.

Mas no fim do mesmo ano Ednelson mandou um santo petardo e deu o primeiro título ao Tricolor, contra um Coxa desinteressado. Estava inaugurada a hegemonia azul, vermelha e branca: 4 a 0 e show no Couto em 1994, tirambaço de Denílson e o tri paranaense em 1995, gol do menino Ricardinho e o tetra em 1996.

Aí veio 1999 e, no hostil Pinheirão, o apenas mediano Darci guardou o gol salvador, que redimiu a nação coxa após 10 anos na fila. Vingança tricolor: cabeçada de Fernando Miguel no último segundo e eliminação do rival, em 2001.

Um ano depois, um jogo na Vila Capanema passa de irrelevante a histórico: Paraná 6 a 1 (maior goleada do clássico) e fim da linha pra Joel Santana no Alto da Glória.

Mas a balança voltaria a pender pro lado verde. No Brasileiro de 2003, Marcel comandou a virada (3 a 2) e o Coxa arrancou rumo à vaga na Libertadores. Em 2008, Keirrison e companhia atropelaram o Paraná em dois jogos, e o Coxa era finalista do Paranaense; e em 2010, Ariel furou a retranca paranista no finalzinho, e o segundo Estadual do supermando se encaminhava pro Alto da Glória.

Na linguagem da bola, clássico pressupõe equilíbrio. Nestes 90 duelos, os coxas venceram mais. Mas a artilharia paranista é mais eficiente. Os verdes tripudiam pelo incrível tabu de 14 anos sem derrotas no Couto.

Mas nestes 20 anos os tricolores levantaram mais troféus – dois deles no Alto da Glória. E por aí vai. Hoje é dia de testemunhar mais um capítulo dessa bela história.