No Coritiba, todas as categorias recebem atenção da psicóloga Flávia Focaccia, mas a maior atenção é dada para a categoria sub-20. “Nos juniores, a gente trabalha mais com os jogadores porque eles vão começar a ganhar dinheiro, lidar com a imprensa, com os torcedores e o papel do psicólogo é importante. Eu costumo dizer para eles que a categoria é o vestibular do atleta. Ou vira jogador profissional ou acaba (o sonho)”, aponta a profissional. Por isso, ela garante que clube que tem alguém da área atuando diariamente acaba tendo resultados melhores. “O meu trabalho é bem direcionado para o rendimento”, destaca.

Mesmo assim, o clube não descuida outros aspectos da vida dos atletas. “Quando tem problema familiar e está afetando o grupo eu entro e faço o meu papel, mas quando é uma questão maior eu encaminho para um colega, um psicólogo clínico”, avisa. Como exemplo, ela cita um jogador que estava se separando, tinha filhos e não conseguia atuar bem. “Ele fez esse trabalho e voltou a jogar bem e foi bem bacana”, relembra. E essas questões amorosas são bastante frequentes, não? “O psicólogo tem que identificar o que está acontecendo. Quando a gente atende os atletas das categorias de base, que começam a ter as namoradinhas, a gente orienta”, diz.

Segundo ela, os atletas de modo geral para uma transformação muito grande em pouco tempo. “Eles amadurecem mais cedo, mas a carreira deles acaba mais cedo e damos exemplos de atletas bem sucedidos. Na base, a gente também faz o contato familiar, contato com os pais com uma assistente social que faz a visita”, revela Flávia. E mais. Segundo ela, quem mais faz propaganda do atendimento são os próprios jogadores. “Atletas que saem do Coritiba me ligam, dizem que não tem psicólogo em outros clubes e acabo instruindo através de fone ou e-mail. Outros atletas que chegam e dizem que não precisam do atendimento recebem a recomendação dos companheiros que já conhecem como é”, completa.