O futebol brasileiro está rachado e a dupla Atletiba ficou em campos opostos. Na disputa que envolve os direitos de transmissão do Campeonato Brasileiro, o Coritiba seguiu o caminho traçado pelo Corinthians e pelos quatro grandes do Rio de Janeiro e anunciou que vai negociar de forma independente com as emissoras de televisão.

Enquanto isso, o Atlético permanece fiel ao Clube dos 13, entidade que pode ruir com a debandada da grande parte de seus fundadores. Em nota oficial assinada pelo presidente Jair Cirino, o Coxa anunciou ontem sua nova postura.

“O clube pretende negociar diretamente com as empresas interessadas todos os aspectos comerciais referentes a esses direitos de transmissão”, diz o comunicado.

Nenhum diretor alviverde falou sobre o assunto, mas o clube do Alto da Glória, através de sua assessoria de imprensa, negou que esteja rompendo oficialmente com o C13, mas apenas adotando uma posição de “independência” na hora de negociar a transmissão de seus jogos.

Apesar da cautela coxa-branca, o afastamento do clube da entidade presidida por Fábio Koff é clara. A expectativa é que hoje -além de Corinthians, Flamengo, Fluminense, Botafogo, Vasco e do próprio Coritiba – Palmeiras, Santos, Cruzeiro, Grêmio, Vitória e Goiás anunciem que não participam mais da negociação por meio do C13.

Allan Costa Pinto
Cirino quer negócio direto com as emissoras.

Enquanto isso, o Furacão permanece na turma dos “fiéis” ao cartel dos clubes, ao lado de São Paulo, Internacional, Atlético-MG, Bahia, Sport, Guarani e Portuguesa. O presidente atleticano, Marcos Malucelli, que é um dos vice-presidentes do C13, participou ontem da reunião que marcou a saída do Corinthians e o grito de independência dos cariocas.

“Qualquer clube que sai enfraquece o grupo. É mais fácil negociar em conjunto que separadamente. Seria bom que ninguém saísse. Mas o Clube 13 segue negociando em nome dos outros clubes”, afirmou.

A atual divisão segue em parte a posição dos clubes durante a última eleição do C13, realizada em abril de 2010. Na ocasião, o Atlético integrou a chapa de Fábio Koff, enquanto o Coritiba apoiou o ex-presidente do Flamengo Kléber Leite.

Agora, porém, o grupo que reelegeu Koff se desintegrou, já que Flamengo, Fluminense, Palmeiras e Grêmio mudaram de lado e se uniram aos que ficaram ao lado de Leite e de Ricardo Teixeira, presidente da CBF.

Malucelli diz não acreditar no fim do C13 e diz que o desentendimento entre os clubes pode prejudicar as transmissões do Brasileirão a partir de 2012. “Quem se afastar terá de negociar com a teve e com os outros clubes. Não poderá haver transmissão dos jogos em casa e fora também. Será como aconteceu com o Atlético em 2007. Não aderimos ao pacote da televisão (no Campeonato Paranaense) e nenhum jogo foi transmitido”, aposta.