O Coritiba mergulhou na zona do rebaixamento há mais de cinco meses. São 25 rodadas entre os quatro últimos – houve um breve ‘respiro’ na vitória sobre o São Paulo – sendo que, destas, sete foram na lanterna da competição. A goleada sofrida em Florianópolis (4×0) deixou no ar uma imagem de extrema preocupação: um time derrotado, sem poder de reação e ‘favorito’ ao descenso. O cenário pouco animador foi completado com protestos dos torcedores, que apontaram as ‘bazucas’ contra o presidente Vilson Ribeiro de Andrade e o grupo de jogadores.

Os gritos de ‘time sem vergonha’ e ‘Vilson, vai se f…, o Coritiba não precisa der você’ ecoaram no estádio Orlando Scarpelli. A revolta era motivada nem tanto pelo placar, mas pela falta de atitude da equipe. “Eles não deram um chute a gol no segundo tempo. Cadê o amor à camisa?”, indagavam os torcedores. O momento crítico só será superado com uma mudança imediata de comportamento. Nem tanto no Couto Pereira – onde o aproveitamento de 72,22% – mas fora de casa. Como visitante, o time de Marquinhos Santos só conquistou um dos dezoito pontos disputados. Um ridículo desempenho de 5,56%.

Foram onze gols sofridos nos três últimos jogos longe do Alto da Glória, comprovando a fragilidade de um time sem poder de reação. Marquinhos Santos tinha a preocupação estampada no seu rosto. Admitiu a péssima atuação da equipe e cobrou a necessidade de maior empenho, sob o risco de o Coritiba sequer chegar ‘vivo’ até a última rodada. “Temos jogadores experientes no grupo. Não podemos nos abater tanto por um erro da arbitragem ou um gol sofrido”, comentou Marquinhos, citando o gol erroneamente anulado pela arbitragem, alegando impedimento de Robinho, quando o jogo ainda estava 0x0.

Apesar do ‘atropelamento’, o quadro só não se complicou de vez porque todos os times da parte de baixo da tabela perderam pontos. “Ainda dá. Mas temos que reagir”, citou Rosinei. Mais crítico, Robinho foi taxativo: “Pra mudar isso, tem que ter vergonha na cara. Tem que correr mais”, disparou. Não foi a primeira vez que o Verdão levou de quatro nesta Série A. Porém, os 4×2 para o Internacional não foram tão contundentes quanto o placar de Florianópolis. O Coxa encarava um adversário direto na luta contra o rebaixamento, foi humilhado e saiu sem rumo do estádio.

Apesar da lanterna, o Coritiba não é o mais ameaçado, segundo os estatísticos, ao descenso. O Infobola estima o risco do Coxa em 71%. O Botafogo, adversário de amanhã, tem 73%. Já no Chance de Gol, o Coritiba é o terceiro (65,2%), à frente de Criciúma (71,9%) e Botafogo (83,5%). Números à parte, a solução para o Coxa é uma só, vencer ou vencer. O chamado número mágico para permanecer na elite do futebol nacional é 46 pontos, mas pode diminuir com o andamento do campeonato. Portanto, o Coritiba precisa de mais cinco vitórias nos nove jogos que ainda tem pela frente.