Ivo Wortmann volta, a partir de hoje, para o clube que lhe trouxe mais sucesso e reconhecimento. Nos dois períodos em que treinou o Coritiba, entre 2000 e 2001, teve passagens históricas e momentos tristes.

Comandou o time que, segundo seus colegas treinadores, jogava o futebol mais moderno daqueles tempos, mas que terminou os quase treze meses de sua passagem (com dois meses de afastamento) sem conquistar um título.

Ivo chegou a Curitiba em outubro de 2000. Pegava um dos piores times da Copa João Havelange. Era um completo desconhecido para o público, que nem lembrava do jogador que passara por América-RJ e Palmeiras.

E muito menos sabia que ele tinha trabalhado por longo período no futebol dos Estados Unidos. Chegava com o aval de Luiz Felipe Scolari, que foi consultado pelos dirigentes do Coritiba -naquele período, a seleção brasileira treinada por Felipão jogou pelas Eliminatórias da Copa de 2002 no Couto Pereira.

Até o início de 2001, o trabalho de Ivo foi regular. Tirou o Coxa da lanterna da Copa JH, fez um campeonato paranaense com altos e baixos e passou pelos fracos Nacional-AM e Desportiva-ES na Copa do Brasil. E levou o time para a final da Copa Sul-Minas, perdida para o Cruzeiro de Felipão.

Mas veio o dia 10 de maio. Era a partida de volta das oitavas-de-final da Copa do Brasil, contra o Goiás. O Cori perdia, e Ivo descobriu a pólvora: no intervalo, sacou um atacante e dois laterais e colocou um zagueiro, um meia e Evair, que faria sua estréia.

Ninguém entendeu, mas deu certo. Após Oswaldo Alvarez usar o 3-5-2 no famoso carrosel caipira do início dos anos 90 comandando o Mogi Mirim, Ivo Wortmann seguiu os passos de Vadão e implantou o esquema 3-5-2 no Coxa. Antes, eram só laterais puxados para o meio, mas no Coritiba eram dois meias (Juliano pela direita, Fabinho pela esquerda) e um armador (Mabília, que agora será o auxiliar de Ivo). O sistema causou furor em todo o País, com a presença alviverde na semifinal da Copa do Brasil, sendo eliminado pelo Grêmio de Tite, que seria o campeão.

O Coxa também caiu na semifinal do Paranaense. A tática ainda não havia sido descoberta quando o time perdeu para o Paraná Clube no primeiro jogo, realizado no Pinheirão.

Na volta, precisando de dois gols de diferença para ir à final contra o Atlético, o Cori massacrou o Tricolor, abriu a vantagem, mas perdeu a vaga no último lance, em um gol de Fernando Miguel.

Mesmo eliminado em duas competições, Ivo estava em alta, pois o Coritiba disputaria a Copa dos Campeões, evento realizado pela CBF no Nordeste, e que valia vaga na Copa Libertadores.

O Corinthians de Vanderlei Luxemburgo foi derrotado duas vezes, e o Coxa sonhou com o título, mas teve os planos abortados ao ser eliminado com duas derrotas para o São Paulo.

Após duas rodadas do Campeonato Brasileiro de 2001 (empate com o Atlético-MG e vitória sobre o Internacional), Ivo largou o projeto alviverde e apostou alto – foi substituir Felipão no Cruzeiro.

Levou com ele Caio Júnior, que deixou o cargo de supervisor no Cori para ser auxiliar técnico. Apesar do time renomado da Raposa, Ivo teve dificuldades. Contra o Coxa, no Couto Pereira, foi alvo de uma chuva de moedas, e perdeu a partida por 3×2. Caiu ao perder em casa para o Goiás.

No mesmo dia, Ricardo Gomes era demitido no Coritiba. E a diretoria não teve dúvidas, trouxe Ivo Wortmann de volta. Na reestréia, uma festa, aplicando 4×1 no então líder Palmeiras.

O time subira de produção, mas um empate em casa com o Atlético empacou a reação alviverde. O Coxa terminou o Brasileiro na 17.ª posição, e setenta jogos depois, Ivo Wortmann deixou o Coritiba.

Saiu após afirmar que esperava a eleição do Internacional para definir o seu futuro, o que irritou o presidente eleito coxa, Giovani Gionédis, que disse que não recontrataria o treinador enquanto comandasse o clube. Sete anos depois, Ivo está de volta, para ser o técnico do Coritiba no ano do Centenário.