Átila Alberti
Voltando ás origens,
Allan entra como titular,
ao lado de Renaldo, contra
o líder Flu, amanhã no Couto.

Os ?garotos da casa? serão os responsáveis por segurar um dos mais fortes ataques do futebol brasileiro. Sem Vágner (suspenso), Flávio (lesionado) e Anderson (sem registro), o Coritiba terá Allan, 25 anos, e Douglas Ferreira, 20, na partida de amanhã, às 18h10, contra o Fluminense, no Alto da Glória. O primeiro está na sua segunda passagem pelo clube, onde chegou aos 10 anos. O segundo fará sua primeira partida como titular na equipe profissional. Histórias que se confundem e que buscam o mesmo final bem-sucedido.

Allan é fruto de uma família coxa-branca. ?Não tinha como eu não ser torcedor do Coritiba e ainda mais jogar aqui?, resume o zagueiro. Filho de Erwin Aal Júnior, o Vivi, jogador alviverde nos anos 70, e irmão de Netinho, que atuou na década de 80 (e que hoje é técnico da equipe juvenil do Cori), ele tem o clube no sangue, tanto que acabou voltando ao Alto da Glória mesmo tendo saído em litígio, em 2002.

O zagueiro retornou e foi, aos poucos, ganhando espaço com boas atuações e regularidade. Até porque sabe da pressão que vive. ?Se nós perdermos, ou não jogarmos com vontade, meu pai e meu irmão ligam reclamando?, confessa. Allan também sabe o quanto é importante um time abnegado em campo. ?Foi sempre assim que eu vi o Coritiba jogar e foi assim que eu aprendi a jogar pelo Coxa. Se nós fizermos isso, a torcida vem junto com a gente e empurra para as vitórias?, comenta.

Douglas Ferreira não tem uma ligação tão profunda com o Coxa, mas também é um dos jogadores revelados nas categorias de base do clube. Ele começou a aparecer na Copa São Paulo de Futebol Júnior e depois que Cuca assumiu o time, o jovem zagueiro passou a ser presença mais constante em treinamentos. Estreou no time principal contra o Palmeiras, por poucos minutos, e agora a chance de iniciar jogando surge quando menos se esperava.

A escalação de Douglas veio após a lesão de Flávio. Em um lance do treino de ontem, no Couto Pereira, o jogador acabou dividindo e levou a pior – ele passaria por exames, mas foi constatada uma fratura no nariz. Com seu zagueiro mais experiente cortado, Cuca optou pelo mais jovem. ?Vai jogar o Douglas Ferreira. Ele está preparado?, avisa o treinador. ?As chances aparecem assim e eu não vou desperdiçá-la?, garante.

Para o zagueiro, é a hora de provar o porquê de tanta expectativa da comissão técnica e da diretoria. ?Sei que isso aumenta a minha responsabilidade e espero comprovar em campo que eu mereço esta oportunidade?, afirma Douglas Ferreira. Ao ver outra revelação – como ele foi há quatro anos -, Allan volta no tempo. ?Eu lembro quando eu comecei e sempre tive apoio de todos, principalmente da torcida. Nossos torcedores apóiam a prata da casa, por isso o Douglas pode ficar tranqüilo. E isso também mostra que eu estou ficando velho?, brinca.

Coxa abre chance para os ?velhinhos? estrearem na A

Não é toda hora que aparece uma oportunidade como essa. Maia, 30 anos, e Anderson, 32, foram apresentados ontem como reforços do Coritiba, e ambos têm a chance de, pela primeira vez, atuar em uma equipe de primeira divisão. Destaques da Série B, os dois sabem que serão rapidamente aproveitados pelo técnico Cuca – portanto, é curto o tempo de adaptação e de retribuição à confiança depositada.

Anderson era pretendido por vários clubes, e ele não esconde o orgulho de ter este interesse depois dos trinta anos. ?É muito bom saber que havia times de ponta querendo a minha contratação. É gratificante ver Flamengo, Vasco, Atlético-MG, Botafogo e Coritiba vindo falar comigo?, confessa o zagueiro, que admite ter ?escolhido? o Coxa pela estrutura. ?Aqui eu sei que vou ter tranqüilidade para trabalhar e render o melhor possível?.

Mesmo discurso de Maia, que vem do Gama com fama de artilheiro. ?Eu soube que havia vários times querendo a minha contratação, e o mais interessante para mim foi acertar com o Coritiba?, afirma. Ele e Anderson também concordam quando falam na possibilidade que receberam. ?Se eu pretendo continuar jogando, tenho que me cuidar. Ainda mais agora, quando eu completei trinta anos?, diz o atacante. ?Muitos desconfiam da capacidade de jogadores mais experientes, mas o Coxa apostou na gente?, completa o zagueiro.

Os dois estão nos planos imediatos de Cuca – Maia, inclusive, já está liberado e vai ficar no banco de reservas na partida de amanhã contra o Fluminense. ?Não tenho problemas físicos, e estou pronto para jogar?, afirma o atacante velocista, que não diz ser um postulante à vaga de Renaldo. ?O Renaldo não precisa provar nada para ninguém, é um jogador consagrado. Eu quero buscar meu espaço?, diz o jogador, que assinou até o fim do ano.

Já o capitão do Paulista na conquista do título da Copa do Brasil deste ano só ficará à disposição na partida de quinta, contra o Juventude. Os planos dele de disputar a Libertadores pela equipe de Jundiaí ficaram por terra. ?Conversei com o Oscar (Yamato, gerente de futebol) e com o presidente, e eles me falaram que é melhor cumprir meu contrato. E como se diz, manda quem pode e obedece quem tem juízo?, resume Anderson.

Pra confundir o comando do Tricolor

O técnico Cuca segue escondendo o jogo.

Como se esperava, ele testou ontem Peruíbe, aumentando as opções a serem elencadas como dúvidas do Coritiba para a partida de amanhã contra o Fluminense. São, assim, cinco jogadores lutando por duas vagas – Silas, Marciano, Peruíbe, Rodrigo Batata e Jackson. A rigor, os três últimos parecem mais perto do time.

Cuca pouco revela. Se quinta treinou com Silas e Marciano, ontem começou com Jackson e Batata, depois sacou Jackson para colocar Peruíbe e depois tirou Batata para escalar Jackson. Uma ?salada? que ainda não está definida. ?São situações de jogo que eu posso usar, dependendo de como vier o Fluminense?, desconversa o treinador. Com qualquer formação, é quase certo que Caio novamente seja passado para o ataque, formando com Renaldo.

Outra situação a ser definida está na defesa. Com a saída de Flávio, Cuca deixou para momentos antes da partida a escalação de Reginaldo Nascimento como zagueiro ou como volante – ontem, ele treinou nas duas posições. ?Quero avaliar bem, ver como nosso adversário vai ser escalado?, resume o técnico alviverde.