Orlando Kissner
Douglas segurou o pênalti
de Petkovic e comemorou
como se tivesse feito um gol.

O Flumimense veio a Curitiba com status de líder – até o início da rodada – e jogou todo o segundo tempo com um homem a mais. Sob estas circunstâncias, o Coritiba até gostou do empate em 0 x 0, ontem, no Alto da Glória. Mas a tabela não permite muitas comemorações ao Alviverde, que, ao somar apenas um ponto em dois jogos seguidos em casa, cai uma posição e segue sem empolgar.

Curiosamente, o Coxa foi melhor quando atuou com 10 jogadores. Pois, no primeiro tempo, pecou pela ausência quase total de criatividade. A bola queimava mo meio-de-campo e os alas, quando apoiavam, eram com muita timidez – caso de James, pois Rubens Júnior mal passou do meio, preocupado com o perigoso Gabriel. Assim, o atacante Renaldo – que já não vive grande fase – quase não pegou na bola.

Por pouco esta apatia, aliada a um erro do árbitro Leonardo Gaciba, não resultou em gol para o Flu. Lançado por Arouca, Gabriel foi mais veloz que Nascimento e levou um rapa por trás. A falta foi fora da área, mas o gaúcho apontou a marca de pênalti. Douglas consertou o erro e defendeu bem o tiro de Petkovic – a comemoração efusiva pela defesa mostrou que, ao menos, disposição não faltaria. Se as coisas já não estavam fáceis, Jackson deu um carrinho em Juan e, corretamente, recebeu o vermelho no final do 1.º tempo.

No intervalo, Cuca trocou Rodrigo Batata por Peruíbe. A marcação melhorou, mas o que mais impulsionou o crescimento alviverde foi a vibração. A chuva persistente prejudicou o jogo, apesar da boa drenagem do Couto Pereira.

É verdade que o Fluminense, com três atacantes, bom toque de bola e jogadores habilidosos, exerceu certa pressão e teve chances de abrir o marcador. Mas a zaga coxa – que teve como destaque o estreante Douglas Ferreira – segurou as pontas, e à frente, Caio, quando encaixava seus dribles, criou oportunidades perigosas para o Alviverde. Mas a rede não balançou e o Coxa teve que se contentar com um suado pontinho.

Melhor com dez em campo

Se contra o São Paulo o Coxa tinha um jogador a mais e acabou goleado, ontem experimentou a situação inversa. O time não venceu, mas mostrou força e disposição com dez em campo – um dos poucos pontos positivos salientados pelo técnico alviverde no empate com o Flu.

Cuca disse ter previsto a mudança de atitude no intervalo. ?Por pouco não ganhamos o jogo. Às vezes é melhor jogar com dez, pois aí entra a superação?, falou o treinador, que não gostou da distância entre meias e atacantes no primeiro tempo.

O experiente Jackson não escapou de um puxão de orelhas do chefe. ?Não aceito (a expulsão), sempre proibimos o carrinho. É uma responsabilidade muito grande deixar o time com dez num lance desnecessário como esse. E se o Fluminense faz um, teríamos que abrir e poderíamos tomar três ou quatro?, criticou. O preço da imprudência, segundo Cuca: multa de R$ 1 mil para a ?caixinha? dos jogadores.

O técnico prevê evolução na equipe a curto prazo, a partir dos retornos de Márcio Egídio e Vágner e do entrosamento dos novos contratados, como Maia, que estreou ontem. E adiantou a nova formação para os próximos jogos. ?Teremos tempo para trabalhar com o Caio recuado, armando ao lado do Capixaba, e o Maia e o Renaldo na frente?, falou.

Assim como Cuca, os jogadores, de forma geral, aprovaram o empate pelas circunstâncias da partida. ?O jogo comprovou que não só na técnica se conquista bons resultados?, afirmou o goleiro Douglas, que pegou um pênalti e chorou ao saudar parentes nas cadeiras ao final da partida.

Na quinta-feira, o Coxa joga em Caxias do Sul, contra o Juventude.

CAMPEONATO  BRASILEIRO
Local: Couto Pereira
Cartões amarelos: James, Rubens Júnior, e Reginaldo Nascimento (C), Gabriel Santos, Juan, Arouca, Beto, Tuta (F)
Expulsão: Jackson (44-1º)
Público: 18.771 pagantes (Total: 20.000)
Renda: R$ 101.320,00
Árbitro: Leonardo Gaciba da Silva (FIFA-RS)
Assistentes: Altemir Hausmann (FIFA-RS) e Sérgio Buttes Cordeiro Filho (RS)

Coritiba
Douglas; James, Douglas Ferreira, Allan e Rubens Júnior (Ricardinho); Reginaldo Nascimento, Luís Carlos Capixaba, Rodrigo Batata (Peruíbe) e Jackson; Caio e Renaldo (Maia). Técnico: Cuca

Fluminense
Kléber; Gabriel (Juninho), Gabriel Santos, Igor e Juan (Rodrigo Tiuí); Arouca, Preto Casagrande e Petkovic; Beto, Leandro e Tuta. Técnico: Abel Braga