São Paulo (AE) – A seleção brasileira feminina de vôlei vive a pior crise sob o comando de Marco Aurélio Motta. Após o quinto lugar obtido na Montreux Volley Masters, encerrado no fim de semana, na Suíça, a levantadora Fofão e as atacantes Érika, Raquel e Waleswka pediram dispensa do Grand Prix e do Mundial da Alemanha – alegaram desgaste no relacionamento com a comissão técnica. Mas, nessa guerra, há tempos declarada, Marco Aurélio parece ter vantagem. Ary Graça, presidente da Confederação Brasileira de Vôlei (CBV), mesmo em férias, garantiu a permanência do treinador.

`Se tivermos de disputar o Mundial adulto com time juvenil, não terá problema. Estaremos trabalhando uma nova base para a Olimpíada de 2004. O Marco Aurélio continua no cargo.` O treinador declarou ontem que quer manter-se à frente do grupo. `Trocar de técnico e daí? Vai ter de trocar de novo. Porque elas não sabem o que querem. Não dizem o que querem. Essa lógica não pode ganhar`, desabafou.

Essa é a primeira vez que admite estar sendo boicotado pelas atletas. `Desde o início tem essa sacanagem. É uma covardia com as novas jogadoras que estão chegando na seleção.` Mesmo em 2001, quando o Brasil teve campanha ruim – terminou o Grand Prix na quinta colocação, a pior nesse torneio, por exemplo -, tentava abafar a crise. `E olha que no GP foi feio. Só indisciplina e afrontas.` Explica que considerava essa situação como uma ‘fase de adaptação’ e, assim, teve paciência.

As meninas vinham de excelente trabalho e vários pódios com Bernardo Rezende, o Bernardinho (de 1994 a 2000), hoje trabalhando com a seleção masculina. Com o novo técnico, reclamavam de treinos fracos e da falta de um preparador-físico – Marco Aurélio acumulava as duas funções, mas desde o início do ano conta com um preparador-físico na comissão. `Viu como não era esse o problema? Sempre que mexi no grupo, levando atletas novas, criava-se uma situação em bloco, programada. O interessante é que acontecia após telefonemas ao Brasil. Para quem? Não sei.’

Para ilustrar o boicote, conta que na estréia do Brasil no Mundial de futebol, comissão técnica e atletas assistiram ao jogo juntos em um restaurante na Suíça `Fofão, Érika, Raquel e Walewska fizeram questão de ver a partida em outra televisão no mesmo lugar em que estávamos. Tomaram as dores de Elisângela, cortada por indisciplina.`

Fofão, Érika, Raquel e Walewska não foram encontradas para comentar o assunto. Hoje, Marco Aurélio tem reunião na CBV e chamará novas atletas. A reapresentação está programada para amanhã. Virna, com problemas pessoais, também pediu dispensa.