Já tá muito claro, por tudo que vimos neste período de parada forçada do futebol por conta da pandemia do novo coronavírus, que os campeonatos estaduais vão ser encerrados sem qualquer tipo de mudança. As seis ou sete datas necessárias para os torneios mais importantes serão utilizadas – é um instrumento político da CBF na relação com as federações.

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Como escrevi na terça-feira (14), nada contra, desde que o Campeonato Brasileiro seja plenamente preservado. Não se pode tomar decisões em nosso futebol que não tenham o Brasileirão como prioridade. Querem resolver os estaduais? Não tem problema, desde que isso não signifique uma redução da competição nacional – e uma consequente e perigosa redução de pagamentos da TV aos clubes.

Razões

Há motivos além dos políticos que justificam uma realização das fases finais dos campeonatos estaduais. O primeiro deles é talvez o mais relevante: os clubes não sairiam de suas divisas. Mesmo quando forem relaxadas as restrições de movimentação, é possível que persistam as medidas de controle de divisas feitas pelos estados. Nesse caso, uma competição que fique dentro desse ‘cinturão’ é mais simples de ser realizadas.

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Outro ponto é que o fechamento dos estaduais permitiria também o encaixe do calendário a essas restrições. Com o primeiro mês da volta do futebol dedicado aos regionais, abriria-se mais uma brecha para a avaliação do que foi feito. Os campeonatos seriam, inevitavelmente, ‘cobaias’ para o retorno definitivo do futebol brasileiro.

Solução pros estaduais?

Por conta disso, e até para facilitar a realização das competições, o ‘modelo Copa do Mundo’ passou a fazer sentido. Quando na Europa começou a se discutir a possibilidade de encerrar as competições de forma expressa, com uma única sede, parecia uma maluquice. Hoje, já não podemos descartar a hipótese. Da forma que o futebol deve retornar depois da flexibilização das medidas restritivas, realizar jogos em um único local é uma solução inclusive sanitária.

Os jogos voltarão sem torcida e com forte vigilância para evitar aglomerações. Foto: Albari Rosa/Foto Digital

Antes de você reclamar que pode se tornar uma vantagem para um time ou outro, é bom ter em mente que o futebol voltará com portões fechados (retomarei esse assunto após o feriado). A Conmebol e a própria CBF trabalham com jogos sem torcida por longo tempo – até o final do ano, em último caso. Então, os estaduais teriam basicamente jogos de campo neutro. “Ah, mas a torcida pode ficar fora apoiando?”. Não, podem apostar que não, os estádios serão isolados. Será uma das restrições que serão adotadas para o menor número de contatos interpessoais.

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Portanto, cada federação poderia escolher sua sede e decidir assim os estaduais. No Paraná, como já estamos no mata-mata, seria até mais fácil. Define-se um local – Arena, Couto Pereira, Vila Capanema, estádio do Café, Olímpico Regional, Germano Krüger – e façamos rodadas duplas, agilizando o processo de definição do campeão. O Londrina apresentou a proposta por aqui, jogando tudo em Curitiba, como informou a Nadja Mauad. É o ideal? Certamente não. Mas é uma solução bastante realista.

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