Um cenário repetido marcou Athletico x Fluminense. Em campo, o Furacão mais uma vez ficou devendo, e o resultado foi a terceira derrota seguida no Campeonato Brasileiro. A vitória do Flu por 1×0, neste sábado (22), na Arena da Baixada, mostrou que as virtudes do time estão ficando pelo caminho por causa da má fase técnica de alguns jogadores e de decisões erradas da comissão técnica.

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Como todos sabem, o jogo não foi transmitido pela TV. Os motivos são conhecidos, eu trabalho em uma empresa que é parte interessada no negócio e por isso minha opinião pode ser viciada. E por não conseguir assistir à partida do jeito ideal, não vou publicar as notas do jogo.

Protocolo? Bandeira?

O jogo começou com duas horas de ‘antecedência’. Foi quando surgiu a notícia de que Lucas Silvestre, auxiliar e filho de Dorival Júnior, e Eduardo Barros, o técnico do sub-23, tinham testado positivo para covid-19. Athletico x Fluminense teve Leonardo Porto, analista de desempenho do Furacão, e o coordenador Paulo Miranda comandando o time à beira do campo. O inusitado do fato não pode esconder o mais importante: continuamos perdendo de longe a batalha contra o coronavírus.

As autoridades e as pessoas estão achando que está tudo bem. Comércio reaberto no todo, atividades retomadas, filas nas lojas, máscaras no queixo ou deixadas mesmo no armário… É o efeito da bandeira amarela decretada em Curitiba. Os números de casos e óbitos seguem altos e para os políticos, mais preocupados com a eleição de novembro, o importante é não arrumar briga com ninguém – mas desfazendo o que a ciência afirma.

E no futebol nem precisamos falar muito. O protocolo médico da CBF, assinado por especialistas renomados, falhou miseravelmente, e teve que ser adaptado para que não fossem adiados tantos jogos – a entidade só se preocupa com seus lucros, como ficou claro no calendário 2021. Além de desejar recuperação à cúpula técnica do Furacão, que fique o recado: a pandemia não acabou, não está sob controle e ainda não temos vacina em vista. Que não esperemos (mais) tragédias ao nosso lado para nos conscientizarmos.

Athletico x Fluminense: o jogo

O Athletico vinha diferente, com Marquinhos Gabriel como extrema, Pedro Henrique e Felipe Aguilar na zaga e a volta de Márcio Azevedo na lateral-esquerda. Mostrando o impacto da maratona de jogos, o Furacão era obrigado a poupar Lucas Halter e Abner. E do outro lado, o Fluminense fazia a escolha de priorizar a Copa do Brasil, sacando Nino e Evanílson até do banco de reservas.

A escolha de Marquinhos não fazia sentido antes de a bola rolar, e mais ainda quando o jogo começou. Não fosse o bom rendimento de Vitinho pela esquerda e o Athletico teria criado muito pouco. Com uma postura mais defensiva, o Fluminense chegou com mais perigo, inclusive com dois gols anulado pelo VAR, ambos de Luccas Claro. E na infelicidade de Felipe Aguilar, no finalzinho da etapa inicial, saiu o gol carioca.

Vitinho foi o único que se salvou no primeiro tempo. Foto: Albari Rosa/Foto Digital

O Furacão criava pouco, tinha a tal ‘posse de bola estéril‘. Era preciso ser mais agressivo – e parecia que essa agressividade tinha sumido com a saída de Nikão. Vitinho, sozinho, não conseguia vencer a falta de objetividade rubro-negra. E a substituição que estava escancarada desde o início da partida veio no intervalo: saiu Marquinhos Gabriel, entrou Pedrinho.

Segundo tempo

Mas o cenário da partida não mudou. De um lado, o Athletico trocava passes e não criava. Do outro, o Fluminense era prático, acelerando e chegando rápido na área rubro-negra. Se tivéssemos público na Baixada, era a hora em que o nome de Walter seria gritado pelos torcedores. Mas talvez tenha valido a transmissão de pensamento, pois Leonardo Porto e Paulo Miranda, que estavam no banco do Furacão, chamaram o centroavante para o jogo.

Walter entrou no lugar de Mingotti – e também Abner no lugar de Márcio Azevedo. Era natural a falta de ritmo do camisa 9, que vem de pouco mais de dois anos sem atuar e uma mudança física radical (e que ainda tá em andamento). E ficou ainda mais complicado porque o Fluminense ‘estacionou o ônibus’, fechando principalmente os lados do campo, impedindo a velocidade de Pedrinho e Vitinho.

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Com Lucho González e Geuvânio nos lugares de Richard e Khellven, o Athletico foi para o tudo ou nada na reta final do jogo. Mas o time não chutava, não levava perigo, praticamente não se aproximou do gol de Muriel – apenas nos instantes finais o goleiro do Fluminense foi acionado e se saiu muito bem. Pela terceira vez seguida o Furacão ficava devendo. E o bom início de Brasileirão virou rapidamente uma sequência negativa.


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