Athletico x Jorge Wilstermann valeu pela classificação. O Furacão está nas oitavas de final da Copa Libertadores, vaga que veio no empate em 0x0 com o time boliviano na noite desta terça-feira (29), na Arena da Baixada. Diante de uma retranca daquelas, o Rubro-Negro pressionou, até criou chances, mas não conseguiu marcar o gol que garantiria a primeira colocação do grupo C com uma rodada de antecedência.

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Certamente o jogo servirá como observação para o técnico interino Eduardo Barros. Apesar de superior tecnicamente e com uma posse de bola estratosférica, o Athletico teve dificuldades diante de uma adversário que “estacionou o ônibus” na frente da área. O ataque ficou devendo, o que deixa aberta a possibilidade de Renato Kayzer virar titular a partir das oitavas, quando poderá ser inscrito na Libertadores.

Mantendo o time

O Athletico entrava em campo com a mesma formação da partida diante do Bahia, e praticamente a mesma da vitória sobre o Colo-Colo. Com tempo e com sequência, surgia enfim um time-base do Furacão em 2020. A decisão de Eduardo Barros em escalar Erick e Christian juntos, mantendo o poder de marcação deles mas permitindo que eles pisassem mais na área, tinha mudado a forma do time atuar.

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E não haveria razões para fazer mudanças. É claro que o desgaste vem, que vez ou outra será necessário mexer no time. Mas ter uma equipe definida dá mais norte ao trabalho do técnico interino, que conseguiu colocar uma característica própria ao seu time, diferente da “era Tiago Nunes” mas sem abdicar de um jogo vertical e intenso.

Athletico x Jorge Wilstermann: o jogo

Os bolivianos resolveram apostar numa retranca nervosa. A última linha tinha cinco jogadores, e na frente deles outra linha com quatro, deixando só Gilbert Álvarez avançado. Então, o jogo era praticamente todo no campo do Jorge Wilstermann, com o Athletico tentando encontrar espaços na marcação adversária. Pra isso, a movimentação dos meias era fundamental – não só pisando na área, mas também voltando para atrair defensores e clarear o ataque.

Pedro Henrique ficou mais no campo de ataque do que na defesa. Foto: Divulgação/Conmebol

Era tanto domínio que o Athletico tinha 87% de posse de bola aos 15 minutos do primeiro tempo. Mas o bloqueio central surtia efeito, e as chances ainda não tinham aparecido. E praticamente todos os jogadores de linha pressionavam os bolivianos. Jonathan e Abner, principalmente, partiam para o fundo, tentando alargar o campo. E quanto mais o tempo passava, mais os visitantes recuavam. Só que qualidade técnica não melhora com a retranca, e nas trapalhadas do Jorge Wilstermann o Furacão conseguia ameaçar.

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Parecia aqueles treinos do Fifa ou do PES – o Athletico tentava, atacava, e quando perdia a bola o time boliviano ‘devolvia’ para uma nova tentativa. A ponto de, já passados dos 30 minutos, a posse rubro-negra era ainda de 83%. E na base da pressão, algumas chances foram criadas. A melhor foi a de Abner, apontando um caminho para as jogadas ofensivas no segundo tempo.

Mais pressão

O Athletico fez o que não parecia possível – ficar mais no campo de ataque. Thiago Heleno e Pedro Henrique ficavam na intermediária ofensiva quando o Furacão tinha posse de bola. Então, num espaço de mais ou menos 35 metros de comprimento estavam os 20 jogadores de linha. Ao mesmo tempo em que aumentava a pressão, os donos da casa sofriam para encontrar algum espaço.

Fabinho teve pouco espaço e não rendeu. Foto: Divulgação/Conmebol

Seria preciso arriscar uma jogada individual para dobrar a marcação – ou confiar na bola parada. De qualquer forma, Eduardo Barros resolveu mexer no time, colocando Guilherme Bissoli e Jorginho nos lugares de Fabinho e Wellington. O Athletico ficaria ainda mais ofensivo. Thiago Heleno estava quase virando ponta. Era um posicionamento tão adiantado que o Jorge Wilstermann conseguia contra-atacar – com muito perigo em uma oportunidade.

Mesmo assim, o técnico interino continuou mandando o time para frente. Colocou Geuvânio e Lucho González nos lugares de Pedrinho e Cittadini (mudanças que também preservam os titulares para o jogo contra o Flamengo) e pedia para o time partir pra cima. Só que aí ficou todo mundo embolado no ataque, com os laterais tentando os cruzamentos para a área. No final das contas, um amplo domínio mas um empate sem gols. Mas com a vaga para as oitavas de final garantida.