O ditado é diferente, eu sei, mas no Atletiba o primeiro chute no gol definiu a partida. A vitória do Athletico sobre o Coritiba por 1×0, na tarde deste sábado (12), na Arena da Baixada, foi o triunfo de quem mais quis buscar a vitória – apesar de nem ter precisado lutar o jogo todo para isso. Um triunfo pra lá de importante para o Furacão, que além de sair da zona de rebaixamento do Campeonato Brasileiro, dá aquela acalmada no ambiente às vésperas do retorno da Copa Libertadores.

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Já o Coxa viu a estratégia do técnico Jorginho não surtir efeito. Atrás no placar praticamente desde o início da partida, a equipe chutou apenas cinco vezes a gol (uma na direção da meta) e demonstrou que ainda precisa de muito para ser um time confiável para a luta pra sair das últimas posições do Brasileirão.

Atletiba: os times

Reforçando o momento de buscar soluções, Eduardo Barros mudou o Athletico do time que empatou com o Botafogo. Voltou com Pedro Henrique na zaga, sacou Lucho González para que Wellington retomasse seu posto (e permaneça no clube), poupou Léo Cittadini e escalou Christian. E escalou o Furacão sem centroavante. Guilherme Bissoli ia para o banco e Geuvânio virava titular ao lado de Fabinho e Nikão – o camisa 7 seria o mais avançado do time.

No Coritiba, era para ser o mesmo time do empate em 3×3 contra o Goiás. A exceção, claro, seria o retorno de Rhodolfo no lugar do expulso Rodolfo. Mas Matheus Sales sentiu uma lesão no aquecimento e abriu caminho para Matheus Galdezani. Enquanto Giovanni não recupera a preparação física e Sarrafiore não chega, o Coxa apostava num time de imposição física. E no final das contas os times iam com desenhos táticos semelhantes para o Atletiba.

Bola rolando

O Athletico optou pela movimentação ofensiva – uma troca radical diante do jogo posicional de Dorival Júnior. Basicamente, Fabinho jogava mais centralizado, com Nikão pela esquerda e Geuvânio pela direita. Mas os três tinham liberdade para trocar de posição. Já o Coritiba tinha inicialmente uma mudança tática importante, com Sassá jogando mais aberto e Igor Jesus na dele, de centroavante. E enquanto os donos da casa trocavam passes, os visitantes apostavam na bola longa.

E por ficarem mais com a bola, os atleticanos começaram a ocupar o campo de ataque. E na primeira tabela que deu certo, entre Jonathan e Fabinho, o atacante ficou solto para chutar forte e abrir o placar. A estratégia habitual alviverde, de esperar o adversário atacar, já não valia. Seria preciso sair para o jogo, o que não é o natural da filosofia de Jorginho.

Caído, Robson vê Erick enfrentar Sassá. Foto: Albari Rosa/Foto Digital

O Coritiba passou a também variar o posicionamento do ataque. E começou a ter espaço entre os volantes do Athletico – a ponto de Thiago Heleno e Pedro Henrique reclamarem dos meio-campistas. E de Matheus Bueno progredir até chutar de longe e obrigar Santos a fazer uma ótima defesa. O domínio territorial mudou de lado, mas o Coxa tinha muita dificuldade de fazer a bola chegar nos três atacantes.

Ritmo lento

Em vantagem, o Furacão não precisava mais acelerar o jogo. Quando tinha a posse, trocava passes sem pressa, esperando algum espaço para criar. Já o Coxa tinha problemas por não ter um jogador de velocidade, e desse jeito o Atletiba correu sem maiores emoções até o vestiário. Eduardo Barros não precisaria mexer. Mas o treinador sacou Márcio Azevedo, que tinha cartão amarelo, para a entrada de Abner.

E Jorginho voltou para o segundo tempo com Natanael no lugar de Jonathan e principalmente com Giovanni no lugar de Galdezani – era uma tentativa clara de fazer o seu time jogar mais. O Athletico se posicionou em uma linha média, sem pressionar a saída de bola e com o objetivo de obrigar o Coritiba a sair no chutão, tirando o camisa 10 alviverde do jogo. Taticamente o jogo ficou mais interessante.

Buscando um desafogo ‘inteiro’ (e pensando na Libertadores), o Furacão apostou em Carlos Eduardo na vaga de Geuvânio. O Coxa deixava Sassá e Igor Jesus na frente para apostar no cruzamento, mas via os donos da casa começarem a encontrar brechas para que Nikão jogasse. Mas o camisa 11 logo saiu, sentindo a perna, para a entrada de Guilherme Bissoli.

Carlos Eduardo contra Giovanni Augusto. Os dois entraram no segundo tempo do Atletiba. Foto: Albari Rosa/Foto Digital

Últimas fichas do Atletiba

Entrando na reta final do jogo, o Coritiba seguia com tremendas dificuldades. Giovanni estava fora de ritmo, natural para quem ficou oito meses sem jogar. E Hugo Moura e Matheus Bueno faziam um Atletiba muito fraco. Para piorar a situação dos visitantes, Igor Jesus foi expulso, bem no momento em que Luiz Henrique entrou no lugar de Rhodolfo, uma alteração de Jorginho no estilo “seja o que Deus quiser”.

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Sem ser muito ameaçado e sem precisar pressionar, o Athletico foi levando a partida até o final. Não foi nem falado em “jogo CAP”, e nem foi preciso. Sendo pragmático e eficiente, o Furacão venceu o Atletiba e se fortalece para a dura sequência que terá a partir de agora. Já o Coxa mostrou que reforçar o elenco é obrigação – e nem sempre ser reativo vai resolver.