Dois dias depois do Atletiba do sábado (12), que teve vitória do Athletico sobre o Coritiba por 1×0 na Arena da Baixada, é preciso ver o que surgiu quando a poeira baixou. Se ficou a clara percepção de que os dois times precisam de mais para atingirem seus objetivos até o final da temporada 2020, é preciso entender como chegar lá. Com tempo curto, menos dinheiro e jogos em sequência, passou da hora de agir.

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A partir desta semana pós-Atletiba, o Athletico terá a Copa Libertadores como foco. Um desafio complicado, que começa lá em Cochabamba, diante do Jorge Wilstermann, nesta terça-feira (15). Para o Coritiba, só há uma tarefa: lutar para escapar do rebaixamento no Campeonato Brasileiro. Um desafio complicado, que tem seu próximo passo no domingo (20), contra o Vasco, no Couto Pereira. Vamos nos debruçar sobre o futuro de curto prazo dos dois clubes.

O vencedor do Atletiba

O Athletico teve um sopro de tranquilidade com a vitória no clássico. Permitiu até ao técnico interino Eduardo Barros admitir que o time não jogou bem diante do rival, e que é preciso melhorar bastante para a reestreia na Libertadores. No Atletiba, o Furacão soube ser eficiente. Fez o gol e depois controlou a pressão adversária. Correu poucos riscos e venceu. Para as próximas partidas, será preciso mais. Mesmo em condições totalmente adversas, como na altitude da Bolívia.

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Para esta partida, o olhar pragmático do interino pode até se repetir. Trazer um empate de Cochabamba não é ruim para o Athletico, mesmo que o Jorge Wilstermann venha de longa inatividade. Léo Cittadini voltará ao time, Nikão e Geuvânio foram preservados, Abner deve recuperar a condição de titular. E Ravanelli pode ser usado por mais tempo. A provável formação rubro-negra tem condições de fazer um jogo no mínimo equilibrado nesta terça-feira.

Jorginho chegou ao Athletico e já foi inscrito na Libertadores. Foto: Divulgação/CAP

Para frente, pensando em Colo-Colo, Peñarol e a sequência do Brasileiro, será preciso melhorar muito. E essa melhora também passa pela diretoria. A contratação de Jorginho, bom meia ex-Atlético-GO mas com perfil que raramente o Athletico traz do mercado, mostra que a preocupação em reforçar o elenco existe. E se o Furacão seguir na Libertadores, trazer gente pra ser titular é obrigação. Uma ‘nova chance’ foi dada aos rubro-negros, mas é preciso aproveitá-la. E não ficar perdendo tempo criticando torcedores, como anda fazendo Mário Celso Petraglia.

O derrotado

A sensação que se tem é que pouco a pouco a ficha vai caindo em algumas pessoas no Coritiba. Houve erros na montagem do elenco, a diretoria projetou uma coisa e fez outra, o grupo ainda tem fragilidades. Falha dos cartolas, que praticamente entregaram o futebol a uma pessoa, e que não acertou em 2020. Corrigir essa rota não é simples, porque exige coisas que o Coxa não anda tendo, dinheiro e foco. Tanto que a semana do Atletiba teve discussão sobre adiar ou não as eleições.

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E está se chegando a uma situação sempre delicada – o dilema de gastar ou não o que não se tem para fugir da ZR, porém aumentando o endividamento do clube. Internamente se sabe que um novo rebaixamento seria trágico para as contas alviverdes. Mas também sair fazendo loucuras também pode deixar a situação pior. Aí que é fundamental ter precisão nas contratações. Um grande desafio por tudo que se viu nos últimos anos no Alto da Glória.

Jorginho precisará criar novas soluções táticas para o Coritiba ficar mais com a bola. Foto: Albari Rosa/Foto Digital

Mas também será necessária uma reflexão do técnico Jorginho. No clássico, o Coritiba foi frágil, sofreu o gol no primeiro tempo e não teve ímpeto para reagir. E aí não há discurso motivacional que resolva. É preciso ter mais soluções táticas para a sequência do Brasileirão. E, claro, o treinador também precisa ganhar peças que lhe permitam fazer isso. Sarrafiore ajuda, Marlos Moreno ajudaria ainda mais. Sem Sassá, que se esforçou tanto que conseguiu ser dispensado, sobra uma grana pra investir. Mas, acima de tudo, o Coxa tem que se ajudar.