Há mais ou menos um mês, o engenheiro Horácio Wendel entrou em contato comigo pra mostrar seu plano de calendário do futebol brasileiro pós-pandemia do novo coronavírus. É um plano bem detalhado, que está explicado e publicado na íntegra neste post. Nesta semana, ele me enviou duas mensagens que vieram também como desabafo.

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Tudo por conta da movimentação do governo federal e dos dirigentes para encaixar o calendário do futebol a partir do início de junho – era para ser antes, mas a pressão feita pelos cartolas não pegou bem. E em todos os planejamentos de CBF e federações estaduais, existe a certeza de que o Campeonato Brasileiro vai ter que invadir 2021 para ser encerrado.

Há inclusive, na visão de algumas federações estaduais, condições para jogar a reta final do Brasileirão e os campeonatos regionais ao mesmo tempo no início do ano que vem, o que ‘zeraria’ o calendário. Aí que entra o Horácio.

Mudar o calendário do futebol

O engenheiro, que cuidou em anos anteriores da montagem da tabela do Campeonato Brasileiro, disse que é “burrice” não aproveitar o momento para adaptar nosso calendário ao europeu. “No meu projeto de calendário europeu no Brasil, o restante de 2020 seria usado somente em 30 domingos. No âmbito de competições da CBF, de 31 de maio de 2020 a 20 de dezembro de 2020, com portões fechados”, comentou por e-mail. Lembrando que neste caso o campeonato não invadiria o ano que vem, já que seria o Brasileirão 2020/21.

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Horácio Wendel coloca inclusive o fator financeiro como decisivo para a adoção de um novo calendário do futebol brasileiro. “Que valorização terá a Serie A com metade das rodadas as quartas-feiras, que tem media de público pagante 20% menor que os domingos? Que produto os clubes vão entregar à divulgação internacional, no recém-assinado contrato, transmitindo 19 rodadas às 2h30 da madrugada na Europa?

Para ele, é fácil entender o que está acontecendo. “Somente a politica nefasta da CBF e federações justifica o calendário atropelado ate o final de 2022″, resumiu.

De novo a grana

Em outra mensagem enviada esta semana, Horácio Wendel fala sobre a redução dos pagamentos imediatos feita pela detentora dos direitos de transmissão do Campeonato Brasileiro – as parcelas dos próximos meses seriam reduzidas, com compensação quando a bola voltar a rolar. O engenheiro vê a adoção do calendário europeu como a salvação para os clubes.

O engenheiro Horácio Wendel preparou um estudo pra mudar o calendário do futebol brasileiro. Arte sobre foto de Fabrizio Motta/Agência RBS

“Eles receberiam todos os 22 milhões. A Globo negociaria com seus anunciantes mais cinco meses de verbas devido a exposição alongada, porque a melhor competição brasileira vai ganhar valor de mercado. Eliminar 11 quartas-feiras em favor de 11 domingos, significa também ganhar mercado“, afirmou.

Horácio comparou as decisões de Brasil e Argentina. “A Argentina vai suspender o futebol ate o final de julho. Seu calendário europeu permite isso. A temporada argentina 2020/2021 vai começar em agosto ou setembro. No Brasil há pressões para o futebol começar já, atropelar competições e invadir ate o final de janeiro de 2021. Tudo porque temos o burro calendário gregoriano“, atirou.


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