A CBF divulgou nesta quarta-feira (11) a versão definitiva do calendário 2021 do futebol brasileiro. E se confirmou o que já se vira na prévia apresentada em agosto. É uma obscenidade o que vai se fazer por aqui. Sem qualquer tempo de parada após o final da temporada 2020, sem redução de campeonatos estaduais, sem parada para os jogos das Eliminatórias da Copa do Mundo… Inacreditável, se não estivéssemos no Brasil.

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De novidade, apenas a alteração na Copa do Brasil, que terá sete fases em vez de oito – quer dizer, duas datas a menos no final das contas. Para fazer isso, fez-se um arranjo no regulamento (que podia ser mudado este ano) e os clubes que entram hoje nas oitavas de final darão ‘um passo para trás’, entrando no que se chamava antigamente de 16-avos de final. Pelo menos movimenta mais a competição e volta a abrir chance para as zebras.

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Mas é pouco diante de um calendário que deveria ser de transição entre a pandemia do novo coronavírus e a Copa de 2022. O futebol brasileiro, em vez de se adaptar, tenta colocar uma girafa na casinha de cachorro. E o pescoço vai ficar pra fora.

Futebol brasileiro sem qualidade

Já estamos vendo um Brasileirão nivelado por baixo, com excesso de lesões e um perigoso relaxamento dos protocolos médicos (é só ver os surtos de covid-19 nos clubes). Não contentes com isso, os cartolas confirmaram que os campeonatos estaduais começam no dia 28 de fevereiro, apenas quatro dias depois do final da Série A. E Copa do Brasil e Libertadores largam em 3 de março. Em resumo, quem tiver o prêmio de disputar mais de uma competição terá jogos em 17 meses seguidos.

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E quem é que pode exigir rendimento e resultado desse jeito? Por mais que no calor dos torneios sempre haja a análise – ou a cobrança -, na realidade nenhum clube que tenha essa sequência tem condições de render bem o tempo todo. E os jogadores, então? Vamos cobrar uma condição sobre-humana deles? Estejamos preparados para essa maratona insana e para ver nossos atletas sendo fisicamente explorados além de seus limites.

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Mas como ninguém pensa neles? Porque é o futebol brasileiro. Os cartolas, a turma do ar-condicionado, estão mais preocupados com direitos de transmissão, próximas eleições, negociações milionárias. O torcedor só se preocupa com o resultado. A imprensa só olha o imediato, e não os impactos futuros. Nosso esporte só vai andando para trás. E quase todo mundo acha isso normal.