Ainda não fazemos a menor ideia de quanto tempo teremos que adotar as medidas de restrição para conter a pandemia do novo coronavírus. Nosso calendário está parado.

Como todos sabem, quanto menos gente circulando, mais achatamos a curva de contágio, permitindo que a estrutura da saúde pública seja suficiente para tratar quem precisa. Por isso, quem pode trabalhar de casa faça isso, além de proteger crianças e idosos. Quem não pode, que tenha todo o suporte necessário, e com risco menor possível dentro das condições atuais.

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Em relação ao futebol, a falta de definição gera angústia para dirigentes e jogadores – mesmo que, pelo menos por aqui, estejamos acostumados com a desorganização. As videoconferências se sucedem, tanto para tentar encontrar caminhos para clubes e atletas quanto para pensar em soluções para o calendário. E há uma queda de braço para ver quem leva vantagem.

É preciso ter em mente que é difícil trabalhar com datas. A previsão otimista da Conmebol é retomar a Copa Libertadores no dia 5 de maio, uma terça-feira. Pensando com esse dia, o futebol brasileiro retomaria as atividades no dia 6, quarta, com a Copa do Brasil. O final de semana seguinte seria o da segunda rodada do Campeonato Brasileiro, mas não será. Quando os jogadores se reapresentariam? Como montar esse quebra-cabeça?

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A previsão otimista

Adotando essa conta acima pro calendário do futebol, teríamos ficado sem jogos em 13 datas. Seria o número exato da redução do Campeonato Brasileiro de pontos corridos para mata-mata – 19 datas para um turno e seis de jogos eliminatórios até a final. Como é mais fácil arrumar o que não está começado, seria a solução mais simples. Haveria datas para encerrar os campeonatos estaduais, readequar Copa do Brasil, Libertadores e datas Fifa. O grande porém: com menos jogos no Brasileirão, a TV paga menos.

Por enquanto, os portões seguem fechados. Foto: Marcelo Andrade/Arquivo

No Brasileiro ninguém mexe

Se for confirmada a posição que a CBF exterioriza, de que não haverá mudança no Brasileirão, os clubes mantém as verbas de TV e arruma-se um mega problema. O que fazer com os Estaduais? No Paraná, clubes e FPF não chegam a um acordo. A entidade, como suas ‘coirmãs’, quer ver o campeonato terminando em campo. Uma possível solução seria estender o calendário até perto do Natal, jogando até 23 de dezembro. Mesmo assim, faltam datas.

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O calendário europeu

Para alguns, é a hora de se adequar ao calendário europeu, iniciando a temporada no meio do ano. Seria uma adaptação feita às pressas e já começando errado, porque seria jogado meio do nada. Além disso, há uma questão cultural muito forte – as principais férias escolares são em janeiro, jogaríamos em pleno verão e a TV nos últimos anos descartou transmissões em janeiro. E qual seria o desenho? Estaduais até setembro e Brasileiro depois? Ou deixar os estaduais para março? E a Libertadores?

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Ninguém cede

Apesar de toda a situação de emergência que vivemos, por ora ninguém quer largar o osso. Aí cria-se um efeito dominó – tendo o final dos Estaduais e o Brasileirão com 38 datas, não há como não ultrapassar o réveillon e terminar a temporada 2020 em 2021. Isso com os campeonatos regionais voltando em 9 de maio, como é a expectativa de muitos no futebol.

Impossibilidade

Lembrando que todas as hipóteses acima são em cima de uma retomada para maio, que hoje parece improvável, esse gargalo fica ainda mais apertado se imaginarmos uma paralisação mais longa. Se o futebol só voltar em julho, por exemplo, qualquer solução, mesmo a mais lógica, pode não ser viável. As medidas de restrição ajudam muito, e neste momento dão fôlego para o futebol enfrentar o desafio do recomeço.

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Em resumo

Ficou claro que não há como colocar o rinoceronte na casinha do cachorro. Vai ser preciso ação, comprometimento e compreensão de todas as partes – CBF, federações, clubes, atletas e televisão. Todos terão que ceder um pouco, se não o futebol brasileiro não vai resolver o calendário de 2020.

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