Terminou Ceará x Coritiba. A vitória foi do Vozão por 2×1, neste sábado (24), no Castelão. São 18 jogos e dez derrotas. Apenas quatro vitórias e quatro empates. O Coxa é agora o penúltimo colocado do Campeonato Brasileiro. E o clube tem agora a última chance de decidir o que realmente quer nesta temporada. Da forma que as coisas andam, com as decisões erradas do técnico Jorginho e da falta de postura da diretoria, a luta para fugir do rebaixamento pode se tornar uma missão impossível.

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O Coritiba quer mesmo se manter na primeira divisão do futebol brasileiro? Então é preciso ter pelo menos uma conduta de quem quer escapar da degola. É preciso correr mais riscos em campo, querer ganhar, buscar as vitórias. E a diretoria precisa agir até o limite das possibilidades para fortalecer o elenco. Não está sendo feito o que foi previsto? Que se façam mudanças.

As mudanças no Coxa

O Coritiba estava escalado, do meio para frente, com seu time mais ofensivo da ‘era Jorginho’ – afinal, Matheus Bueno e Matheus Galdezani eram os volantes, com Yan Sasse, Giovanni Augusto e Robson municiando Rodrigo Muniz. Era uma formação bem mais equilibrada. E sim, aquela turma toda no banco de reservas: Sarrafiore, Neílton, Cerutti, Pablo Thomaz e Ricardo Oliveira.

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Mas havia uma mudança importante na defesa. Natanael virava banco e Matheus Sales jogaria improvisado na lateral-direita. O jovem da base alviverde acabou sacrificado, mas ele realmente não vinha jogando bem. Com Matheus pelo lado, havia a opção de fazer a chamada ‘saída de três’, empurrando William Matheus mais para frente, como um ala. Mas o que se viu foi a formação defensiva clássica, com uma linha de quatro.

Ceará x Coritiba: o jogo

Sempre é necessário marcar no futebol. Mas há formas e formas de marcar. Foi o que o Coxa mostrou logo no início da partida. Pressão na saída de bola do Ceará, erro de Eduardo Brock, Rodrigo Muniz esperto para roubar, arrumar o corpo e abrir o placar. Lá na frente, como um time equilibrado e organizado tem que fazer. Era a prova de que Jorginho sabia o que o Coritiba precisava, mas na maior parte das vezes escolhia outra estratégia.

Mas a improvisação de Matheus Sales na direita cobrou a conta também bem cedo. A jogada de Léo Chu foi do lado dele, e o passe no meio da área chegou em Vinícius (nem venha com essa de Vina), que empatou. E nem tínhamos chegado aos 10 minutos. Depois que as coisas se assentaram, foi possível ver que havia uma diferença de velocidade de jogo – a construção ofensiva alviverde era mais lenta, no ritmo de Galdezani; a do Vozão era mais ágil, no ritmo de Chu e de Fernando Sobral.

E principalmente de Vinícius, que fazia tudo nos donos da casa – criava, arrematava, marcava, comandava. Era o jogador que todo mundo esperava ver no Paraná, no Coritiba e no Athletico (sim, esquecemos de citá-lo no De Letra desta semana, falha nossa). E que agora era o centro técnico do Ceará, que levava mais perigo a Wilson. O Coxa pouco pressionou, foi aos poucos recuando e o primeiro tempo de Ceará x Coritiba terminou com domínio dos donos da casa.

Etapa final

Jorginho acertou ao tirar Yan Sasse, que não teve o nome narrado pelo Luiz Prota na transmissão do Premiere. Mas mostrou que realmente não confia nos reforços ao colocar Nathan no lugar do meia. Mas a postura mais retraída se repetia, e o resultado foi a virada do Vozão, no rebote da cabeçada de Cléber no travessão que caiu no pé do bom lateral Eduardo. Aí, com a porteira arrombada, lá se foi o Coxa para o ataque. E havia espaço para chegar, pois em cinco minutos Nathan, Robson e William Matheus tiveram chance de empatar.

Sei lá o que passa na cabeça do treinador alviverde. O Coritiba pode não ser um time perfeito, mas não é tão ruim quanto ele pensa. Era só pressionar, querer atacar. Ricardo Oliveira enfim entrou no lugar de Rodrigo Muniz. O Ceará poderia contra-atacar? Sim, mas é do futebol. Sem correr riscos, você não consegue nem atravessar a rua.

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Apenas uma das outras três mudanças de Jorginho foi “pra frente” – Gabriel na vaga de Matheus Galdezani. Ramón Martínez entrou no lugar de Matheus Bueno (convenhamos, essa até é um passo pra trás) e Cerutti estreou no lugar de Robson. Só pra registrar, Neílton e Sarrafiore não entraram no jogo. O fato é que o Coritiba precisa parar de ser medroso em campo. Os jogos já mostraram que isso não dá certo. Resta saber quais serão as atitudes a ser tomadas.