Há quem diga ser imprópria a hora para falar de eleição no Coritiba. Afinal, o futebol está parado, o clube tem dificuldades financeiras por conta da pandemia do novo coronavírus e a temporada, mesmo acidentada (ou até por isso), é decisiva para o futuro do clube. Mas, ao mesmo tempo, o fato do Coxa não estar em campo permite que se reflita um pouco sobre o que está sendo feito e o que se pretende fazer. Então, é hora sim de falar de política.

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Historicamente o Coritiba é um clube dividido. Tirando o período em que Evangelino da Costa Neves mandou no Alto da Glória (e mesmo ele teve opositores ferrenhos), sempre houve oposição e houve embates de proporções inacreditáveis nas últimas eleições alviverdes. Já se viu de tudo – até ataques pessoais grotescos, e que acabaram decidindo votação.

Portanto, a existência de uma ou mais chapas de oposição ao presidente Samir Namur é totalmente natural, se olharmos como é o Coritiba. Bom lembrar que na última eleição foram três chapas – o grupo vencedor, um mais ligado ao ex-presidente Vilson Ribeiro de Andrade e o outro que seria o da ‘velha guarda’. Houve debates, entrevistas, discussões e os sócios decidiram. Mesmo que se entenda que um poder centralizado pode dar melhores resultados na gestão do futebol, é melhor que seja assim.

Quem quer comandar o Coritiba?

É direito do presidente Samir Namur buscar a reeleição ou indicar um aliado para se candidatar. A tendência da atual diretoria é esperar um pouco a poeira da crise se assentar, o Campeonato Brasileiro começar e ser iniciado oficialmente o período eleitoral pra aí colocar a campanha na rua. Sabe-se que o resultado em campo é fundamental para a situação – mas no Coritiba já houve reeleição após rebaixamento.

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O grupo que se reúne em torno de Renato Follador é o mais organizado e o que faz campanha há mais tempo. Competentíssimo no seu trabalho, Follador vem sendo sondado há anos por diversos conselheiros para se candidatar. Agora decidiu entrar de cabeça na empreitada. E vem com planos ousados, apesar das dificuldades conhecidas do Coxa. É, na verdade, o único candidato confirmado para a eleição – e trabalha fortemente para vencer.

O Couto Pereira sempre é assunto na eleição do Coritiba. Foto: Antonio More/Arquivo

Não é de hoje que dois torcedores que viraram conselheiros, João Luiz Buffara e Luiz Carlos Bettenheuser, montam planos estratégicos para o Coritiba. Bettenheuser é uma voz crítica bastante respeitável, demonstrando independência em relação aos tradicionais grupos políticos do clube. A dupla é a novidade da eleição, com um perfil de propostas que certamente vai melhorar o debate.

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Há também Paulo Roberto “Mago”, que não conheço e que se anuncia candidato pelas redes sociais. Não sei também se ele tem respaldo para encarar a corrida presidencial. O que é certo é que a disputa é válida e que todos precisam entender que qualquer discussão sobre o Coxa passa pela permanência na primeira divisão.

Quem é melhor?

Essa é uma decisão para os sócios do Coritiba. E é fundamental conhecer os candidatos – que, espero, se disponham a se manifestar e participar de entrevistas e debates. O futuro está em jogo. E debater o Coxa é obrigação de quem quer comandar o clube.


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