Coritiba x Atlético-MG foi um jogo repleto de variações táticas e de movimentos que animam os analistas. Mas, principalmente, foi uma partida em que a imposição tática do Galo sobre o Coxa no primeiro tempo decidiu o resultado. A vitória mineira por 1×0, neste domingo (6), no Couto Pereira, teve o dedo de Jorge Sampaoli, hoje o melhor técnico em atividade no País.

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A forma como o Atlético-MG encurralou o Coritiba no primeiro tempo, pressionando até conseguir o gol, acabou fazendo a diferença. Na etapa final, o Coxa cresceu, levou perigo e mostrou boas virtudes para a sequência do Campeonato Brasileiro. Virtudes que precisarão também evoluir para que o time saia da zona de rebaixamento.

As escalações

Jorginho explicou pra Nadja Mauad antes do jogo que a opção no elenco para a ausência do Neílton seria mesmo o Giovanni Augusto. A única mudança em relação à equipe que enfrentou o Botafogo era a entrada do meia, que dava mais força nas bolas paradas e nos arremates de média distância, mas naturalmente tirava velocidade do Coxa.

Diante de um adversário de extrema qualidade, não seria nada estranho – ou errado – o Coritiba ter uma postura reativa. A bola ficaria mais nos pés dos jogadores do Atlético-MG e os donos da casa iriam tentar explorar espaços que naturalmente aparecem em times que jogam tão ofensivamente. Se Alan Franco se projetasse como fez contra o São Paulo, Jair poderia ficar desguarnecido.

Coritiba x Atlético-MG: o jogo

A partida se iniciou como imaginado. O Galo se postou dentro do campo alviverde, pressionando desde a saída de jogo e colocando oito jogadores de linha no ataque – apenas Junior Alonso e Igor Rabello ficavam na defesa. O Coritiba se fechava inteiro, até mesmo Sassá recuava para marcar. Sem um extrema, era Matheus Galdezani quem completava pela direita a segunda linha defensiva.

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Passou um tempo e até os zagueiros do Atlético-MG estavam na frente. Era um risco calculado do Coxa, que sabia que passaria por apuros, mas admitia que não poderia encarar o time de Sampaoli de peito aberto. O time mineiro tem recursos, tem variações, é difícil de ser marcado. Quase marcou um golaço com Guga, mas a bola que explodiu no travessão pingou na linha antes da defesa de Wilson.

Jorginho sofria à beira do campo, mas é aquela coisa – sem saída rápida, o chamado desafogo, o Coritiba ficava refém da imposição tática e técnica dos visitantes. A superioridade aumentou quando Keno partiu para o duelo direto com Jonathan, ganhando todas. “Vai jogar, vai jogar”, gritava o técnico alviverde, só que não havia jeito de sair das cordas.

Hyoran e Allan levam vantagem sobre Matheus Galdezani. O Coritiba foi encaixotado pelo Galo. Foto: Albari Rosa/Foto Digital

Velho e cansado ditado

E o dito popular foi infalível no primeiro tempo de Coritiba x Atlético-MG – água mole em pedra dura, tanto bate até que fura. O gol do Galo era questão de tempo, e saiu depois da cabeçada na trave de Igor Rabello, que terminou na finalização de Eduardo Sasha para o gol vazio. E mesmo atrás no placar, o Coritiba seguiu encaixotado. A tentativa de solução de Jorginho foi mexer no intervalo, colocando Igor Jesus no lugar de Matheus Galdezani.

Era talvez a expectativa de uma bola alta ofensiva, mas sigo não entendendo a opção do treinador (e de seu antecessor Eduardo Barroca) em colocar Igor Jesus como extrema pela direita. Não é a dele, mesmo que Allan estivesse improvisado na lateral do time mineiro. Tanto que ele levou muito perigo no meio da área, de cabeça, na melhor chance alviverde na partida até então. O Coritiba era mais perigoso, enfim explorando as fragilidades da defesa visitante.

Jorge Sampaoli quis arrumar até a posição do cinegrafista. Foto: Albari Rosa/Foto Digital

Reta final

E pela segunda vez o técnico precisou acertar a casa depois de uma mexida – a troca deixou o meio-campo desguarnecido, com o Galo chegando toda hora com facilidade. Hugo Moura entrou no lugar de Giovanni Augusto, e Sassá foi para o lado, com Igor ficando de centroavante. O Coxa ficou mais equilibrado e passou a ser mais organizado no ataque. E as chances foram aparecendo.

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Robson e Sassá começaram a levar vantagem nos duelos 1×1 (só pra falar moderninho, é o ‘mano a mano’ de sempre) e o rendimento ofensivo alviverde era bem mais efetivo no segundo tempo. Nos últimos minutos, a cartada de Jorginho foi promover o retorno de Giovanni, que quando entrar em forma será titular alviverde. A evolução do Coxa na etapa final foi clara, mas o resultado favorável ao Atlético-MG não foi injusto.