Por 20 minutos, Coritiba x Bahia pareceu se encaminhar para uma vitória alviverde com autoridade. Mas quando o jogo terminou, o triunfo era do Bahia, de virada, por 2×1, na noite desta segunda-feira, no Couto Pereira. Derrota em casa que recoloca o Coxa na zona de rebaixamento do Campeonato Brasileiro e aumenta (se é que isso é possível) a pressão sobre o clube.

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O domínio do Coritiba no início da partida poderia ser consolidado com uma vantagem maior. Mas os erros – ofensivos e defensivos – foram fatais para a equipe treinada interinamente por Pachequinho, que sem nove jogadores não segurou o mais arrumado e mais completo time do Bahia. O Coxa reclamou muito da arbitragem de Igor Junio Benevenuto.

Coritiba x Bahia: os times

O Coritiba sofreu para escalar um time – até porque o próprio técnico Rodrigo Santana estava afastado por causa da covid-19. Pachequinho perdeu referências do time, como Matheus Galdezani e Ricardo Oliveira, e apostou em uma adaptação da forma de jogar. Já que teria Maílton estreando na lateral-direita, com força de apoio e velocidade, e William Matheus voltava à equipe, o interino escalou apenas dois atacantes, Neílton e Robson.

A movimentação ofensiva do Coritiba. Maílton e William Matheus bem adiantados. Arte: Tactical Pad

O plano era abusar do apoio dos laterais e contar com a movimentação dos dois homens de frente, confiando na chegada de Giovanni Augusto e no poder de articulação de Mattheus Oliveira. Na teoria, a situação compensaria a ausência de um centroavante (Rodrigo Muniz e Pablo Thomaz estavam no banco). Seria preciso ter muita atenção, até porque o Bahia teria uma transição rápida com Fessin, Daniel e Elber.

Apita o árbitro!

E o Coxa abriu o placar exatamente com passe de Matheus Oliveira, apoio de William Matheus e chegada de Giovanni Augusto. Foi o primeiro avanço alviverde no jogo, logo a três minutos de partida. Taticamente, Pachequinho optara por fazer Neílton e Robson voltarem para marcar pelos lados, tentando evitar uma jogada combinada, principalmente pela direita ofensiva do Bahia, com Fessin e Nino Paraíba.

Posicionamento defensivo do Coritiba. Arte: Tactical Pad

E esse posicionamento dos atacantes confundia a marcação do Bahia, dando espaço para o Coritiba – que até poderia ter ampliado antes mesmo dos 20 minutos, nas chegadas de Matheus Sales e Neílton. Foi só depois da metade do primeiro tempo que os visitantes começaram a trocar mais passes no campo de ataque, tentando explorar os avanços dos laterais alviverdes.

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A partida ficou equilibrada e o Coxa começou a errar muitos passes. E Nino Paraíba ganhava o duelo individual com Robson – acabava acontecendo exatamente o que Pachequinho tentara evitar. E o jogo mudou de figura em menos de um minuto. Giovanni Augusto marcou, mas o VAR anulou por conta de um toque de Neílton, e no lance seguinte Elber fez boa jogada e empatou a partida. A desatenção foi fatal.

Alta tensão

O que era um jogo controlado virou um drama. O Coritiba voltava a ser perigoso, mas o Bahia respondia na mesma moeda. Pros donos da casa ainda havia a irritação com a arbitragem desde o gol anulado. Mas o Coxa voltou para a etapa final dominando a partida. O problema alviverde era a má atuação de Robson e Neílton, tecnicamente abaixo do esperado.

Neílton jogou bem abaixo do que pode produzir. Foto: Albari Rosa/Foto Digital

Com o passar do tempo, o desgaste físico do Coritiba e as mexidas de Mano Menezes (como a entrada de Rodriguinho) reequilibraram o confronto. O técnico interino alviverde mexeu na equipe com a entrada de Rodrigo Muniz no lugar de Neílton. Mas quem marcou foi o Bahia, no cruzamento de Zeca que passou por todo mundo e enganou Wilson. Outra falha de todo o sistema de marcação. E o futebol não permite muitos erros.

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Irritados com as próprias falhas, com a arbitragem e com o resultado, os jogadores do Coritiba estavam muito nervosos. Sarrafiore entrou no lugar de Mattheus Oliveira, mas o momento era totalmente desfavorável. Os lances errados se sucediam – os tais erros de decisão, como dizem hoje. O Coxa teve o jogo na mão, mas falhou e tomou a virada. Um derrota dolorosa e que deixa o time de novo em situação dramática.