Coritiba x Vasco foi um bom exemplo daquele papo manjado do Paulo Autuori. Foi o jogo do “saber sofrer”, e no final das contas o Coxa venceu por 1×0, neste domingo (20), no Couto Pereira, com um gol de pênalti de Robson aos 43 minutos do segundo tempo. Um resultado que alivia muito a situação alviverde, após uma partida complicada, em que Wilson foi decisivo para evitar o gol carioca.

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Na base do “vamos lá” e do “jogar com o coração” (essa frase captada pela câmeras da Globo), o técnico Jorginho viu seu time ter tremendas dificuldades de criação, mas garantir o triunfo graças ao jogador que mais batalha no ataque do Coritiba. E, fora da zona de rebaixamento do Campeonato Brasileiro, o treinador terá mais sossego para arrumar as coisas.

Mudando de novo

Jorginho decidiu fazer várias mudanças para esse Coritiba x Vasco. Rodolfo passou a ser o titular da defesa, com a saída de Rhodolfo. Na lateral, Natanael enfim iria começar, com a saída de Jonathan. No meio, Matheus Sales retornava e o xará Galdezani ia para o banco de reservas. E, definitivamente sem Sassá, temporariamente sem Neílton e com Igor Jesus suspenso, o ataque foi reformulado, com Sarrafiore e Giovanni Augusto pelos lados e Robson centralizado.

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Durante toda a semana, todos os analistas falaram sobre o posicionamento de Sarrafiore, que rendeu mais no Internacional jogando como meia central. Mas era preciso ter uma ocupação territorial, e por isso ele ficaria mais à direita. Pelo meio, ia ser aquela de contar com a chegada de Matheus Bueno e de Hugo Moura. Para um time que precisaria superar um bom sistema defensivo, ainda faltava de saída um articulador – e Giovanni tinha se machucado.

Coritiba x Vasco: o jogo

Essa dificuldade de organizar o jogo do Coritiba se via na tentativa de sair jogando com bola dominada. Querendo trocar passes, o time quase não saía do lugar. Era do Wilson pro Rodolfo, aí pro Sabino, pro William Matheus, pro Sabino, pro Matheus Sales, pro Wilson… E o Coxa não conseguia progredir. A forma mais efetiva era marcar mais adiantado, pressionar a defesa do Vasco.

Robson entre Yago Pikachu e Miranda. A bola chegou pouco ao atacante no primeiro tempo. Foto: Albari Rosa/Foto Digital

Quando conseguia passar a linha de meio-campo, havia uma mudança tática – Sarrafiore abria o corredor para Natanael e ficava mais pelo centro. Os espaços eram poucos, tanto que o primeiro arremate, de Robson aos 14 minutos, surgiu na primeira brecha da marcação encontrada por Matheus Bueno. O Vasco, sem Benítez, preferia explorar a velocidade de Yago Catatau e de Talles Magno. Mas como o Coxa marcava bem, não havia risco para Wilson.

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Faltava o passo seguinte, pisar na área dos cariocas. Até porque o controle da posse de bola sem profundidade não resolve nada. Tanto que perigo mesmo quem levou foi o Vasco, numa roubada de Cano, que arriscou de longe e obrigou o camisa 84 alviverde a trabalhar. Em 30 minutos, era a primeira vez que Luís Roberto, Jader Rocha, Marcelo Ortiz e os demais narradores precisavam usar mais a voz. De resto, muita marcação, muita troca de passes sem agressividade, pouca emoção.

Organização x ofensividade

O Coritiba sofria com um dilema tático. Para se arrumar, ter uma postura tática sólida, faltava gente que deixasse o jogo ofensivo mais ‘imprevisível’. À exceção de Matheus Bueno, que era quem mais arriscava um passe que surpreendesse a marcação, e de Sarrafiore, que se movimentava muito, era tudo muito posicionado, e naturalmente mais fácil de ser acompanhado. Tanto que os zagueiros reclamavam que faltava opção para jogar.

Matheus Sales cercado por Bruno César e Bruno Gomes. Era os Matheus de um lado e os Brunos do outro. Foto: Albari Rosa/Foto Digital

Na volta para o segundo tempo, Yan Sasse apareceu na vaga de Sarrafiore. O Coxa tinha mais pressa para jogar – e sem um passe preciso, o nervosismo provoca mais erros. E o Vasco começou a explorar essas falhas. E lá foi Wilson salvar o time de novo, num belo arremate de Germán Cano. Falando nisso, vamos ressaltar – o gringo tava lá no Independiente de Medellín e os cariocas foram buscá-lo, coisa que nossos times poderiam ter feito.

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Enquanto isso, os visitantes ameaçavam, Talles Magno acertava a trave. E Jorginho tirava Matheus Bueno para colocar Thiago Lopes. Era um momento em que o Coritiba tinha muita dificuldade. Parecia esse o destino do jogo, mas Yago Pikachu fez pênalti em Robson e o VAR avisou Luiz Flávio de Oliveira. Sabino errou na primeira cobrança, mas Fernando Miguel se adiantou. E aí Robson, sempre o que mais luta em campo, fez o gol da vitória. O desempenho ainda não veio, mas o Coxa voltou a vencer.