Era para Cruzeiro x Paraná ser o jogo da retomada. Mas foi uma partida frustrante. O Tricolor não jogou bem, sofreu os gols no primeiro tempo e foi derrotado pela Raposa por 2×0, na noite desta sexta-feira (30), no Mineirão. O resultado deixou o time fora do G4 da Série B do Campeonato Brasileiro ao final do primeiro turno. E se a campanha foi, por conta de todas as dificuldades financeiras, bastante razoável, fica um gosto de que poderia ter sido melhor.

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Apesar da reclamação do impedimento (que pra mim foi) no primeiro gol do Cruzeiro, a atuação paranista foi ruim. Fábio praticamente não trabalhou, a não ser em um cruzamento de Paulo Henrique. Sem força ofensiva, não adiantou ter bem mais posse de bola. No segundo turno, o Tricolor tem que reencontrar a regularidade para seguir sonhando com o acesso.

Poucas mudanças

Nos últimos dias, alguns torcedores do Paraná Clube tinham me perguntado se haveria alguma surpresa na escalação por conta das ausências de Jean Victor e Bruno Gomes. Respondia que seria até interessante que isso acontecesse, mas que não acreditava. E Allan Aal confirmou essa sensação. O Tricolor entraria em campo diante do Cruzeiro com Juninho na lateral-esquerda e Léo Castro na frente.

Na cabeça do treinador, era o momento de tentar estabilizar essa nova formação com Thiago Alves e Renan Bressan. Apesar da goleada sobre o Oeste na segunda (26), Thiago tinha jogado menos do que contra o Cuiabá e Bressan não tinha rendido. E ambos eram importantes no jogo de transição paranista, até porque Andrey e Léo Castro precisavam desse suporte.

Andrey é driblado por Patrick Brey. Foto: Bruno Haddad/Cruzeiro

Do outro lado, o Cruzeiro tinha vários jogadores conhecidos – Manoel, Patrick Brey e Marquinhos Gabriel, por exemplo – e a motivação que só Luiz Felipe Scolari sabe passar aos jogadores. Mesmo assim, era uma equipe pressionada pelos maus resultados e que poderia ter essa ansiedade explorada.

Cruzeiro x Paraná: o jogo

Só que não deu um minuto de jogo e a Raposa já estava na frente. Uma falha de marcação tricolor, com Hurtado e Salazar presos no chão e Marcelo Moreno se antecipando a Marcos para abrir o placar. Achei irregular o posicionamento do centroavante, mas… Bem, o gol assustou o Paraná, que sofria para sair do seu campo. Os donos da casa pressionavam e o jogo estava todo para o lado mineiro.

Felipão e seus auxiliares tinham estudado o Tricolor. Paulo Henrique tinha seu setor fechado, Jhony e Higor Meritão eram marcados, apenas os zagueiros e Juninho tinham mais espaço – justamente os jogadores com menos recursos da equipe. O primeiro chute paranista só aconteceu aos 20 minutos, com Andrey. Foi o primeiro lance em que Thiago Alves conseguiu ganhar dos volantes do Cruzeiro.

O Paraná Clube precisava de mais agilidade na transição. É Jhony quem normalmente dá esse ritmo ao time, mas ele era acompanhado por Jadsom até mesmo quando recuava. E o primeiro tempo de Cruzeiro x Paraná terminou com vantagem maior dos mineiros, num contra-ataque em que Patrick Brey ganhou na velocidade de Bressan – tudo isso pelo lado de Juninho – e tocou para Aírton marcar o segundo gol.

Essa, Aírton chutou para fora. Mas depois ele marcou o segundo gol do Cruzeiro. Foto: Bruno Haddad/Cruzeiro

Tudo ou nada

Como diziam os mais antigos, o Tricolor voltou ligado no 220. Dividindo todas, partindo para cima, tentando pressionar. Era o que se deveria fazer, mesmo que o Cruzeiro tivesse espaços para sair em velocidade. Mas ainda faltava Bressan entrar no jogo. Tanto que Allan resolveu tirar o camisa 10 para colocar Bruno Xavier. A alteração fazia sentido.

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Só que mesmo assim faltava punch – não consegui achar nenhuma palavra que definisse melhor o que o Paraná não tinha no Mineirão. Com Karl e Guilherme Biteco em campo (nos lugares de Jhony e Léo Castro), foi para o tudo ou nada para tentar entrar no jogo. Mas não era uma noite tricolor. O turno acabou com derrota. Que venha o returno.