E eis que no meio da crise no futebol por causa da pandemia do coronavírus surge outra bomba. A Turner enviou uma notificação aos clubes e estaria disposta a buscar um acordo para encerrar o contrato de direitos de transmissão do Campeonato Brasileiro. No meio da tormente, surge essa confusão que pode deixar oito participantes da Série A com o pincel na mão. Entre eles, Athletico e Coritiba.

O acerto de alguns clubes com um outro grupo de mídia, isso há alguns anos, foi saudado como uma vitória. Para muitos torcedores, havia um ‘mal’ no futebol brasileiro, que seria a principal detentora dos direitos de transmissão das competições nacionais. Uma concorrente com dinheiro e com vontade de investir parecia enfim ameaçar o predomínio do Grupo Globo.

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Mas o acerto com a Turner não foi de águas calmas. Depois do anúncio festivo, descobriu-se que o contrato do Palmeiras tinha cláusulas que lhe davam mais grana que os outros clubes. Em seguida, foi o Fortaleza que notou que ficou perdendo na parada. Depois, os redutores aplicados pela Globo nos contratos de TV aberta e pay-per-view. E, enfim, uma possibilidade de encerrar um contrato que é válido até 2024.

Além da crise, que está obrigando os grupos de mídia a tomarem decisões estratégicas bastante radicais, a Turner pode ter percebido que não é fácil lidar com o futebol brasileiro. Os clubes são totalmente desunidos, fazem de picuinhas gigantescos cavalos de batalha, agem como torcedores e não como gestores… Em resumo, os cartolas mais atrapalham do que ajudam.

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Custo alto

E transmitir futebol é caro. Há quem ache que é muito simples e barato, mas não é. Tanto que alguns clubes apostaram em transmissões próprias e sofreram após descobrirem o preço da brincadeira. Chega perto de 100 mil reais pra estrutura de uma única partida. Pensem em 380 jogos da Série A, 380 da Série B… Sem contar o investimento em pessoal – que não são só aqueles três caras de banho tomado e cabelo penteado na cabine.

Fazer futebol na televisão não é nada barato. Foto: Albari Rosa/Foto Digital

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Futebol é um negócio em que se pode ganhar muito dinheiro, mas em que se gasta demais também. Todos os grupos de mídia, nacionais ou não, que entraram nessa parada perceberam isso. E determinadas competições não têm apelo comercial nenhum – Brasileirão, Série B, Copa do Brasil e Libertadores são exceções a esta regra. Então, é por conta de uma capacidade de gestão e uma estrutura azeitada que a Globo consegue superar crises e possíveis baques financeiros para manter a operação futebol girando.

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Pra nós, jornalistas, o ideal seria que várias empresas entrassem na briga – Globo, Turner, DAZN e quem mais quisesse. Mas não basta só querer. Tem que aguentar cartolas, investir sem parar, às vezes gastar sem certeza de retorno e dar tempo ao tempo. Confirmando essa desistência do Brasileirão, a Turner seria mais uma a não conseguir segurar a onda.

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