Não é possível dissociar a trajetória de Levi Mulford da Tribuna do Paraná. E vice-versa. Seu Levi nos deixou neste sábado (29), aos 91 anos, de causas naturais. Por 63 anos ele contou as histórias do futebol amador nas páginas da Tribuna. E leva com ele a nossa história, deixando a saudade e uma vida de dedicação ao jornalismo.

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Hoje estamos todos confinados aos nossos escritórios. Mas nos últimos anos nós ficamos cada vez mais presos à tecnologia, abusando de aplicativos de conversa e contando com a eficiência da televisão e dos computadores.

Seu Levi Mulford era de outro tempo. Quando o jornalismo se fazia em campo – e não digo apenas cobrindo jogos, mas também indo à fonte. Era olho no olho, caneta e bloco de anotações. E depois a máquina de escrever, o mais rápido possível para fechar o jornal. Uma página ou duas, inteiras, tamanho standard, pra serem fechadas todo dia. E ainda tinha tempo para fotografar, para escrever livros, para atender dezenas de estudantes ávidos pelo seu arquivo…

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Levi Mulford e a Suburbana

Não havia nada que lhe tirasse a vontade de trabalhar. Era difícil convencer o seu Levi a tirar férias. Nos últimos anos, ele só parava quando os jogos cessavam. Se houvesse um time da Suburbana em campo, lá estava ele. Todos o conheciam, todos o respeitavam. E ele fez o futebol amador de Curitiba ser respeitado.

Tenham certeza que só temos essa Suburbana pujante há tantos anos porque seu Levi defendeu diariamente na Tribuna do Paraná o espaço para nosso futebol amador. Ele foi decisivo na consolidação de vários clubes que hoje fazem um serviço importante por toda a região metropolitana.

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Acima de tudo, Levi Mulford era um exemplo. Trabalhou sem cessar até se aposentar, e até o último dia trazia a Tribuna no coração e na cabeceira da cama. O corpo não resistiu ao passar dos anos, mas nós seguiremos aqui honrando a história que ele escreveu. Vá em paz, seu Levi. E muito obrigado.