Tanto se falou e o Coritiba decidiu apostar em nomes conhecidos. O técnico Jorginho e o gerente de futebol Paulo Pelaipe estão de volta ao clube. Eles serão os líderes de uma nova estrutura que, antes de qualquer outro objetivo, precisa fazer o Coxa chegar aos 46 (ou 47?) pontos necessários para fugir do rebaixamento no Campeonato Brasileiro. E, com a chegada dos dois, a diretoria alviverde olhou para 2019 para tentar chegar em 2021.

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Você pode achar estranho. “O Pelaipe não trabalhou no Coritiba em 2018?”. Sim, e não teve uma boa passagem. Mas o Paulo Pelaipe que o Coxa procurou e recontratou foi o do ano passado, o que geriu o elenco de estrelas do Flamengo em uma das maiores temporadas da história do clube carioca. Era ele o diretor de futebol, braço direito do vice-presidente Marcos Braz e com ótima relação com Jorge Jesus e os principais jogadores flamenguistas.

A saída do agora gerente de futebol do Coxa foi tumultuada no Ninho do Urubu. Quase que a cúpula do Flamengo rachou de vez, porque a gestão do futebol queria Pelaipe e a renovação foi vetada por outros integrantes da diretoria. E é esse cartola que o presidente Samir Namur foi buscar, para que consiga gerir o vestiário, encontrar reforços para o elenco e dar suporte para Jorginho.

Paulo Pelaipe não foi bem no Coritiba, mas teve importância no Flamengo do ano passado. Foto: Albari Rosa/Arquivo

Jorginho: a volta do que foi

Lembro que uma das primeiras coisas faladas sobre um possível retorno de Jorginho ao Coritiba era de que ele não trabalharia com Rodrigo Pastana. Isso foi ainda no domingo (16), com Eduardo Barroca ainda no cargo. Ele era o plano A da diretoria alviverde desde o começo – ou, no caso, desde antes do começo, se é que isso pode existir. O treinador foi muito importante no acesso do ano passado, e isso pesou na decisão.

Jorginho representa uma guinada de 180 graus no pensamento do Coritiba sobre futebol. Em entrevista à rádio Coxa, muito bem resgatada pela Nadja Mauad nesta sexta-feira (21) no Globo Esporte, o presidente Samir Namur falou que o “jogo reativo” não agradava, e que a contratação de Eduardo Barroca atendia ao anseio do clube em “jogar de uma forma mais propositiva”.

É essa falta de convicção, essa falta de foco, que dificulta a vida alviverde. Uma hora tem que contratar, outra hora não. Uma hora tem que jogar no ataque, outra hora não. No final das contas, o elenco do Coritiba talvez não seja ideal nem para um jogo propositivo nem para um jogo reativo – com Barroca ou com Jorginho, era e é preciso ir ao mercado.

É o jeito?

Neste momento, a opção por Jorginho mostra que o Coritiba talvez tenha compreendido qual é o seu real objetivo no Brasileirão. É preciso somar pontos, e vai ter que ser de qualquer jeito. É claro que qualquer um de nós sempre vai querer ver um futebol bonito, bem jogado. Mas, quando a crise bate na porta, o negócio é resolver o problema, seja como for. É o certo? Não, mas é o jeito.

Lembro do início da “era Guardiola”. O Barcelona encantava a todos com o tiki-taka, e no Brasil começava a se jogar com aquela paciência para encontrar espaços. E jornalistas e torcedores achavam o máximo, todo mundo dizia que era o jeito que o nosso futebol tinha que jogar. Mas quando era o time do coração, o primeiro recuo para a defesa já provocava vaias da torcida. E não foi só em um, vi isso nos três times de Curitiba.

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O futebol brasileiro é assim. Todo mundo quer a excelência, a arte de jogar, mas quando o assunto é o seu time, o buraco é mais embaixo. É uma discussão que atinge torcedores, jornalistas, técnicos e dirigentes. E é muito válida. Mas, no caso do Coritiba, era preciso mudar. Mesmo que essa mudança seja tão radical.


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