Juventude x Paraná foi um balde de água fria para o Tricolor. Uma péssima partida, a goleada de 5×0 do time gaúcho e o risco de ver a distância para o G4 da Série B do Campeonato Brasileiro aumentar até o final da rodada. Ficou provado (se ainda não estava) que não existe fórmula mágica no futebol, e que trocar de treinador não corrige as deficiências técnicas de um elenco.

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Então o problema é Rogério Micale? Não, apesar de o rendimento paranista ser muito abaixo do esperado. A questão é que internamente e externamente imaginou-se que o elenco era muito bom e que o problema era o ex-treinador Allan Aal. Só que nem o ex nem o atual vão fazer alguns jogadores melhorarem o passe ou pararem de errar grotescamente. Como disse o próprio Micale, não se faz milagre. E o Tricolor segue em queda livre.

Uma triste rotina

O Paraná Clube também acabou atingido pelo novo surto de covid-19 no futebol brasileiro. Perdeu três jogadores – Philipe Maia, Higor Meritão e Gabriel Pires. Os dois primeiros seriam titulares contra o Juventude, o que obrigou Rogério Micale a improvisar Luan na zaga ao lado de Salazar e recolocar Andrey no time, abdicando do esquema usado na derrota para o Avaí. E Alisson, lesionado, também ficava fora, com Marcos voltando ao time.

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Voltavam os três homens de frente (Thiago Alves, Bruno Gomes e Andrey) e Renan Bressan teria que ajudar um pouco mais na marcação – pelo menos dar aquela cercada básica. É a história do cobertor curto, que já falei semana passada: sem tantas opções para mudar o jogo, o treinador paranista tinha que resolver os problemas com as peças à mão, mesmo que uma solução acabasse gerando uma outra dificuldade.

O desenho tático do Paraná: de novo o 4-1-4-1, e com isso Renan Bressan precisava ajudar mais na marcação. Arte: Tactical Pad

Juventude x Paraná: o jogo

E aí qualquer desenho tático ou estratégia foi para o espaço com dois minutos e meio de jogo. Renato Cajá mandou de longe e abriu o placar – o camisa 10 gaúcho fez dois gols de longe no Paraná, um em Alisson e outro em Marcos. Bastante marcado, o Tricolor tinha dificuldades em chegar à frente, tanto que só teve uma chance com Karl arrematando de longe. Enquanto isso, o Juventude ampliava com Rafael Silva, cabeceando livre.

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O Paraná Clube estava grogue. Só levava perigo com chutes de fora da área – além daquele do Karl, Renan Bressan cobrou falta que passou perto do gol de Marcelo Carné. Com Jhony precisando iniciar as jogadas lá atrás e Bressan com pelo menos um marcador colado nele, a única opção ofensiva eficiente em campo era Thiago Alves, que vencia os duelos individuais, mas não conseguia fazer tudo sozinho.

E o jogo foi resolvido ainda com 38 minutos do primeiro tempo. A trapalhada de Salazar e de Marcos foi muitíssimo bem aproveitada por Renato Cajá – que, aos 36 anos, sobra na turma na Série B. E o Tricolor jogava mal, muito mal.

O segundo tempo

A melhor chance paranista na etapa inicial tinha sido de Andrey, quase nos acréscimos. E era preciso voltar do intervalo pelo menos com outra atitude. Alteração já tinha acontecido – Matheus Matias estreava no lugar de Bruno Gomes. Só que em outro lance inacreditável da defesa paranista, Bochecha fez o quarto do Juventude. E não demorou muito tempo para Capixaba marcar o quinto.

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Foi a pior partida do Paraná Clube em 2020 – no mesmo nível daquele jogo com o CSA. E fica a pergunta: há como reagir e buscar o acesso para a primeira divisão? Fica difícil pensar nisso se há um erro tão claro de avaliação. Ao trocar de técnico, a diretoria do Tricolor ‘jogou pra torcida’ e evitou atacar a dificuldade real, que é a fragilidade do elenco, que já atingiu seu limite. O que aconteceu no Alfredo Jaconi deveria servir para acordar os cartolas, mas não sei não.