Passava das 21h de sábado (17) quando Mário Celso Petraglia resolveu falar. Na confortável posição que as redes sociais permitem, o presidente do Athletico soltou o verbo, como sempre atacando quem o critica. Já sabemos que o cartola se considera “incriticável”, pois acha que ninguém fez mais pelo clube do que ele (já entro nesse assunto). Mas agora ele deixou claro que quer determinar quem é realmente atleticano.

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Começando pela parte do “ninguém fez mais”. Em março, fizemos o podcast De Letra sobre Mário Celso Petraglia na semana do aniversário do Furacão (o link do Spotify tá aqui). Partimos da seguinte pergunta: seria ele o personagem mais importante da história rubro-negra? Não há discussão sobre ídolos – Sicupira, Alex Mineiro, Fernandinho, Assis, Caju, esses sim são ídolos do Athletico. Mas é possível sim dizer que Petraglia é o mais importante.

Ele liderou uma transformação no clube. O Furacão flertava com a insolvência quando Petraglia assumiu em 1995. De lá pra cá nem é preciso dizer como as coisas mudaram. E constatar essa importância é (perdão pela redundância) importante para analisar tudo que o cartola diz.

Mário Celso Petraglia pode tudo?

Mesmo sendo tão relevante para a história do Athletico, Petraglia não tem o direito de se colocar como uma divindade. O que ele disse no sábado tem um pouco de soberba, um pouco de raiva e muito de birra. Não é a primeira vez em que ele ameaça “se arrepender”. Quando é muito questionado, o presidente tenta virar a crítica para o outro lado. Em 2002, deu certo, e ele conseguiu o que Jânio Quadros tentou – renunciou e voltou nos braços do povo.

Mário Celso Petraglia também é especialista em desprezar a história do Furacão. Há um grande, enorme Athletico antes de sua chegada. E há dirigentes, técnicos e jogadores que precisam ser lembrados. O Furacão não tem 25 anos, e sim 96. E mesmo que treinasse na praça Afonso Botelho, tinha uma nação de torcedores que merecem respeito. E também é bom lembrar que não só ele fez isso – Ademir Adur, Ênio Fornea, Marcus Coelho, Samir Haidar, Valmor Zimmermann e Antônio Carletto são apenas alguns dos nomes que são lembrados de primeira.

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Mas principalmente não é Petraglia – e nem ninguém – que vai definir quem é mais ou menos atleticano. Não é o dinheiro que resolve, não é pagar ingressos caros ou planos caros de sócio, não é por não dizer amém para tudo ou por querer uma ação no departamento de futebol que um torcedor tem que ser julgado. Ele não detém uma régua de atleticanismo. Ao final da noite de fúria, o cartola disse que seu ouvido não é penico. O nosso também, presidente.