Paraná x Botafogo era um jogo que deveria ter acontecido há cinco meses. Mas a pandemia impediu que ele fosse realizado em março, e a volta da terceira fase da Copa do Brasil só rolou nesta quarta-feira (26), na Vila Capanema. E mesmo sendo derrotado por 2×1 pelo time carioca, o Tricolor teve uma postura digna, tentando a vitória a todo momento. Não deu pra se classificar, mas a equipe lutou muito.

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Faltou ao Paraná Clube mais poderio ofensivo. Os jogadores disputaram todos os lances, mas em alguns momentos a qualidade poderia ter feito a diferença. É uma situação que certamente está sendo avaliada para a sequência da Segundona, mas que não tira o valor da atuação tricolor diante do time da primeira divisão.

Paraná x Botafogo: as equipes

O Paraná Clube não alterava a forma de jogar – só não era a mesma formação habitual porque Jean Victor, que jogou a Copa do Brasil pelo Boavista, não poderia entrar em campo. A mudança forçada por Juninho, o escolhido por Allan Aal, trazia embutida uma queda de qualidade. O titular é mais completo que o suplente, principalmente por conta do passe.

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De resto, o mesmo desenho tático. O Tricolor sabia que teria que produzir, propor o jogo e ao mesmo tempo não correr riscos. Era uma noite em que a responsabilidade de cada atleta chegaria ao limite – nada poderia dar errado, porque do outro lado o Botafogo estava pronto para contra-atacar. Sem a posse de bola, marcar era obrigação; com a posse, era preciso jogar, e contar com uma noite positiva de Renan Bressan, Andrey e Bruno Gomes.

Paulo Autuori decidiu colocar três zagueiros, até para liberar Kevin e Guilherme Santos para o apoio e dar mais sustentação para Honda jogar. Pedro Raul, no ataque, era uma ameaça real, mas o desenho do Botafogo permitia ao Paraná adiantar sua marcação e impor dificuldades à saída de jogo adversária.

Honda é marcado por Gabriel Pires. O japonês ainda ficou devendo. Foto: Albari Rosa/Foto Digital

Rolou a bola

Fiel ao estilo de “saber sofrer“, o Botafogo de Paulo Autuori se posicionou dentro de seu campo e atraía o Paraná. E o Tricolor buscava o controle da partida, com mais posse de bola e tentando arriscar quando o espaço se abria. Era preciso fazer isso, pressionar e sair para o jogo com objetividade. O domínio era tão amplo que até a metade do primeiro tempo os cariocas não tinham sequer chegado à frente – sem finalizações, sem escanteios a favor.

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O jogo era favorável aos donos da casa. Nas raras chances de contra-atacar, o Paraná tinha vantagem. Só que faltava aquele detalhe básico, colocar a redonda dentro da rede. E, como é natural, diminuiu a intensidade da pressão e com isso o Botafogo ficava menos preso à marcação. A bola ficou mais com os visitantes, mas o Tricolor não parava de tentar – e nas chances que tinha, Gatito Fernández era efetivo em suas intervenções.

Renan Bressan teve ótimas chances pra marcar no primeiro tempo. Foto: Albari Rosa/Foto Digital

A melhor chance foi a do final do primeiro tempo, com a jogada de Kanu com Bruno Gomes que sobrou para Renan Bressan. Sei lá, por mais que a bola tenha sobrado para o camisa 10 paranista, Bruno ia sair na cara do goleiro do Botafogo, e o árbitro Vinícius Furlan deu apenas cartão amarelo. Para a volta do intervalo, Allan já poderia arriscar mais, sacar Gabriel Pires e colocar o time ainda mais agressivo.

Contra o relógio

Só que o bom jogo tricolor na etapa inicial sofreu um duro golpe logo no início do segundo tempo. Houve falha da defesa no gol de Marcelo Benevenuto – é aquilo, era uma partida de erro zero. Aí, em desvantagem maior e contra o relógio, o Paraná tinha que partir para cima de uma vez. E o empate veio cedo, com Thales, sempre regular e mais uma vez conferindo lá na frente.

Faltava um gol para levar a decisão para os pênaltis. E o Tricolor voltou a jogar no campo botafoguense. Andrey acertou seu posicionamento, entre Kevin e Kanu, e tinha muito espaço para jogar. Mas junto com a pressão vinha o nervosismo, que atrapalhava o rendimento ofensivo paranista. A bola tinha que passar mais por Renan Bressan, tanto para acalmar as coisas, como para definir as jogadas.

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Allan adotou a estratégia de fazer as mudanças apenas nos minutos finais da partida. A primeira alteração foi apenas aos 37 minutos, quando Gabriel Pires saiu e Marcelo entrou – o time estava bem, mas era possível ter feito essa troca antes. No final, foram só duas trocas. Na base do desespero, totalmente compreensível, o Paraná seguiu tentando, mas não deu. Tivéssemos público na Vila Capanema e o time receberia aplausos. Agora, o negócio é pensar na Série B.