Nesta terça-feira (20), Peñarol x Athletico e Colo Colo x Jorge Wilstermann fecham o grupo C da Copa Libertadores. Para o Furacão, o jogo vale muito – vale a garantia do primeiro lugar (quer dizer, decidir as oitavas de final na Arena) e melhorar a posição entre os primeiros de todas as chaves (quer dizer, quem sabe ter o mando do jogo de volta nas quartas e semifinal). Mas, acima de tudo, é o início da segunda “era Paulo Autuori”, que chega com poderes totais no departamento de futebol.

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Como escrevi na análise do jogo contra o Atlético-GO, nenhum profissional do campo ou de gestão impressionou mais o presidente Mário Celso Petraglia do que Autuori. Ele deixou as portas escancaradas no clube quando saiu, em 2017, e neste ano estava claro que no momento em que o treinador saísse do Botafogo ele seria convidado para voltar ao CT do Caju. E a recíproca é verdadeira, a ponto de o agora diretor técnico aceitar ir para o banco de reservas nesta situação de ‘emergência’.

A origem do “jogo CAP”

E por que isso? Porque Paulo Autuori montou a base teórica e prática do que hoje se denomina “jogo CAP“. Foi o agora head coach que liderou a uniformização dos sistemas de treinamento e de ordem tática em todas as categorias, que acelerou a adoção de softwares de scout, avaliação de grupo e monitoramento de mercado e que deu uma espécie de ‘carimbo’ para o trabalho no Furacão. O trabalho dele (e de William Thomas, que também voltou ao clube) gerou frutos que todos conhecem.

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Por mais que o estilo de jogo que Autuori trabalha não seja exatamente o que prega a tal filosofia de jogo do Athletico – lembram do ‘saber sofrer’? -, muitas das características estavam aí desde 2016: a excelência física, o jogo coletivo, a ocupação de espaços, a transição rápida, o ataque com extremas e sobreposições. Não à toa que Tiago Nunes (contratado pelo diretor para a base rubro-negra) via a ‘linha evolutiva’ do clube passando por Paulo Autuori, não por Fernando Diniz.

Eduardo Barros não foi descartado pelo Athletico. Ele será uma espécie de ‘auxiliar de luxo’ de Autuori. Foto: Albari Rosa/Foto Digital

E é por isso que o head coach chega com carta branca para reformular o departamento de futebol a partir da gestão técnica. Ele vai ser o “treinador dos treinadores“, e quando sentir a necessidade, irá para o campo. Tem autonomia para isso, e tem contato direto com Petraglia, sem precisar de intermediários.

E em Peñarol x Athletico?

Paulo Autuori tenta fazer dessa primeira intervenção como dirigente um movimento suave. Até para que Eduardo Barros, em quem o Furacão ainda deposita confiança, possa não sentir o baque de um ‘rebaixamento’. O novo diretor técnico foi para o campo no treino da segunda-feira (19), mas teve o interino a seu lado. A própria comunicação rubro-negra evitou falar em treinador – e sequer publicou fotos dos dois em campo no CT do Caju.

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A decisão de preservar sete titulares (Jonathan, Thiago Heleno, Pedro Henrique, Abner, Wellington, Christian e Léo Cittadini) indica o cuidado para o jogo contra o Flamengo, na semana que vem, pela Copa do Brasil. Mas ao mesmo tempo mostra que o ataque terá a partir de agora disputa aberta por uma vaga. Nikão voltará ao time naturalmente, e Renato Kayzer – ainda não inscrito na Libertadores – segue garantido. Fabinho, Ravanelli, Pedrinho, Guilherme Bissoli, Geuvânio e até Walter brigam pela posição, e estão todos relacionados.

Apesar de ir com uma equipe mista, o Athletico de Paulo Autuori sabe que precisa dar uma resposta, e nada melhor do que fazer isso na Libertadores. É o começo de uma sequência decisiva para o Furacão, e o primeiro passo tem que ser dado em Montevidéu.