O Coritiba agitou o noticiário na última terça-feira (29) com a notícia do acerto com o centroavante Ricardo Oliveira. O veterano de 40 anos chega com um contrato de oito meses e com a responsabilidade de ser o goleador que a torcida tanto espera. É também uma guinada na linha de contratações do Coxa – inclusive fugindo ao discurso do técnico Jorginho e do diretor de futebol Paulo Pelaipe. Mas, acima de tudo, dentro do atual cenário alviverde é uma boa contratação.

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Há um ponto fundamental na análise da vinda de Ricardo Oliveira. Ele é um atleta. Em mais de 20 anos de carreira, ele teve poucas lesões, jogou bastante em todas as temporadas. Ano passado, atuou 46 vezes pelo Atlético-MG. Em 2018, jogou 56 partidas. Nesta temporada, até o final do Brasileirão em fevereiro do ano que vem, o Coritiba fará mais 26 jogos, chegando ao todo em 56 partidas. Então, inteiro, o centroavante deverá atuar na maioria dos jogos alviverdes no Campeonato Brasileiro.

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Se consideramos esse fato, temos que também pesar outros. A favor de Ricardo Oliveira, claro, é a facilidade para marcar os gols. São quase 400 na carreira, sendo 37 entre 2018 e 2020. A média histórica dele é de um gol a cada dois jogos. Obviamente esse número caiu nos últimos anos – nas três últimas temporadas a média é de um gol a cada três partidas. Mesmo assim, é bem mais que qualquer jogador do Coritiba nos últimos anos, à exceção de Rodrigão e Kléber.

Ricardo Oliveira vai ajudar, mas…

Portanto, o centroavante é um acréscimo de qualidade ao elenco do Coritiba. Não se pode discutir a capacidade dele, é um dos maiores artilheiros da década no futebol brasileiro. Mantendo a média citada acima, ele faria nove gols no Brasileirão – Robson é o artilheiro alviverde na temporada com sete. Ele demonstra uma mudança de foco da diretoria alviverde, pois é um jogador caro (mesmo que tenha aceitado ganhar menos no Coxa) e veterano. É bom lembrar que há poucos dias Jorginho e Paulo Pelaipe disseram que o plano era reforçar o grupo com jogadores com menos de 30 anos.

Jorginho precisa encontrar formas do Coritiba ser mais ofensivo. Foto: Albari Rosa/Foto Digital

Além disso, a atitude da diretoria mostra que, como escrevi após a derrota para o Fluminense, enfim a ficha caiu. Afinal, Ricardo Oliveira foi sondado, o valor foi considerado alto e ele tinha sido praticamente descartado, mas após a goleada sofrida no Rio de Janeiro ele foi rapidamente anunciado. Que essa contratação às pressas não seja a única de um nível mais alto, porque o Coritiba precisa ter, como até disse Jorginho, “jogadores de Série A“.

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E inclusive jogadores que possam fazer Ricardo Oliveira jogar. O Coxa não é só o pior ataque do Brasileirão, mas também é um dos times que menos cria oportunidades. Não fosse a abnegação de Robson e essa produção ofensiva seria ainda menor. Portanto, aí é trabalho dos cartolas e do treinador. Os dirigentes precisam contratar mais jogadores de qualidade, que cheguem e joguem. E Jorginho precisa fazer o Coritiba atacar mais. Senão, trazer um camisa 9 do talento de Ricardo Oliveira pode ser em vão.