Desde que se falou em volta do Campeonato Paranaense, sempre se colocou uma posição clara – só haveria retorno com o aval das autoridades de saúde. Quer dizer, a bola só rolaria com o OK do governo estadual e também dos municípios. Os dirigentes acreditavam que essa liberação seria possível. Só que os fatos atropelaram os planos dos cartolas. E o que eles fizeram? Foram pedir ajuda dos políticos.

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Está muito evidente que não tem como pensar na volta do Campeonato Paranaense neste momento. Os números da pandemia do novo coronavírus estão cada vez maiores, estamos com milhares de infectados e internados e já choramos mais de 900 mortes. Em Curitiba, o termo usado para a velocidade de contágio é “avassalador”. Em oito regiões do Paraná, estão suspensas todas as atividades não essenciais.

Mesmo assim, com tudo jogado na cara dos cartolas, eles não desistem. Depois do presidente do Athletico, Mário Celso Petraglia, defender o retorno “imediato” do Campeonato Paranaense, foi divulgada a manobra pensada pelo presidente da FPF, Hélio Cury. Ele enviou um ofício para a Câmara Municipal de Curitiba pedindo autorização para a volta do futebol.

Lobby

No texto atribuído pela Câmara ao presidente da FPF, os clubes estão cumprindo o protocolo médico e com “rígidos controles sendo realizados conforme preconiza (sic) nossas responsabilidades assumidas”. E não só se defende a volta do Paranaense como há o anúncio da tabela do mata-mata, começando no dia de 18 de julho (sim, daqui a oito dias), sem redução de datas e realizando partidas em todo o estado.

Óbvio que uma tentativa dessa iria ter furos. O primeiro e mais importante: qual é a competência da Câmara Municipal de Curitiba neste caso? Tirando o lobby, os parlamentares não podem fazer nada. Vão propor um decreto liberando a volta do Campeonato Paranaense? Não, né.

Hélio Cury, presidente da FPF, assinou o ofício pedindo a volta do Campeonato Paranaense. Foto: Felipe Rosa/Arquivo

Surpreende também o fato de que o presidente da Câmara, vereador Sabino Picolo, disse que vai tratar do assunto com o secretário municipal de Governo, Luiz Fernando Jamur, “em data a ser agendada”. Por que ele não vai falar com a secretária de Saúde, Márcia Huçulak? E por que o presidente da FPF não vai? Será que é porque sabem que ela dirá que não é a hora da volta do Campeonato Paranaense?

Campeonato Paranaense ou curitibano?

E mais: como a Câmara Municipal de Curitiba vai se meter no assunto sendo que há jogos marcados para outras cidades? Não dá pra vereadores da capital palpitarem se poderemos ter jogos em Cianorte, Londrina, Cascavel, Ponta Grossa e Paranaguá. A FPF está tentando ‘costear o alambrado’ depois de não conseguir falar com a secretaria estadual de Saúde.

A negativa das autoridades estaduais jogou dúvidas sobre a volta do Campeonato Paranaense. Os clubes se articularam para até mesmo reduzir datas caso fosse necessário. Mas a Federação segue irredutível, e a pressa demonstra em um momento delicado da pandemia reforça que há interesse não exatamente no retorno dos jogos, mas sim na cota restante do DAZN que só será paga se a bola rolar.

Mas tenham certeza que o lobby vai, mais cedo ou mais tarde, surtir efeito. Não é impossível que, apesar de tudo que vivemos nas últimas três semanas, seja realmente marcada para o dia 18 a volta do Campeonato Paranaense. É apenas mais uma demonstração de que sensibilidade não é exatamente o forte dos nossos cartolas.


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