Cuca só tem dúvidas na lateral-direita.

O técnico Cuca garante que não há titular absoluto no Paraná Clube, mas não vê motivos para alterar seu time-base para o jogo de sábado (15h30), no Pinheirão, contra o São Caetano, que só ocorre caso a CBF desista da suspensão imposta devido à contrariedade da entidade e dos clubes em relação ao Estatudo do Torcedor. Caso o jogo ocorra, Cuca confirmou apenas a volta do artilheiro Renaldo ao comando do ataque e vai estudar nos treinos táticos qual a melhor opção para a ala direita: Milton ou Valentim. O treinador gostou do rendimento da nova dupla de volantes e até mesmo Fernandinho, sacado no 1.º tempo, terá nova oportunidade.

O meia não esteve bem frente ao São Paulo, mas Cuca antecipou sua permanência no time. “Não posso simplesmente sacar um jogador por um dia ruim”, explicou. “A alteração que fiz, foi de ordem tática e não porque ele teve um vacilo. Não sou técnico de esperar as coisas acontecerem. Se vejo a possibilidade de mudar um jogo, tento colocá-la em prática”, disse. Coincidentemente, Fernandinho havia “dado o passe” para Kaká marcar o primeiro gol do time paulista.

O meia Émerson vai ganhando pontos com a comissão técnica e reconquistando seu espaço. Além de mostrar eficiência na marcação, foi à frente e acabou sendo o principal finalizador do time, com vários chutes de fora da área. “Os dois volantes estiveram muito bem”, destacou Cuca. No jogo, Fernando Miguel foi o principal “ladrão de bolas” e além de não dar espaços a Kaká o fez sem receber advertências do árbitro. “Esse jogo mostrou que meu time sabe marcar, mas sem violência, como às vezes nos rotulam lá fora”, lembrou Cuca, referindo-se às críticas feitas ao seu time pelo excesso de faltas nas primeiras rodadas do Brasileirão.

Com a presença de Renaldo, a tendência é que o Paraná ganhe “poder de fogo” para transformar volume de jogo em gols. O time se ressentiu da ausência do seu principal artilheiro e Flávio Guilherme ainda não conseguiu se firmar no grupo. A indefinição quanto à lateral direita é estratégica. A possível presença de Valentim – que já atuou no segundo tempo do jogo passado – garantiria, na teoria, maior volume de jogo pelo flanco direito. “Tenho essa característica, de arriscar sempre que possível a jogada de linha de fundo”, confirmou. Milton é mais cauteloso nesses avanços e isso pode determinar sua saída do time.

“Vou analisar bem esta situação e o São Caetano, que fez um ótimo segundo tempo frente ao Atlético Mineiro”, confirmou Cuca. No sábado, a comissão técnica paranista esteve no Anacleto Campanella acompanhando de perto a vitória do Azulão, por 2×0.

Saulo: falta tranqüilidade aos jovens “matadores”

O treinador de atacantes, Saulo de Freitas, acredita que está faltando tranqüilidade e um pouco de sorte aos atacantes do Paraná Clube em jogos fora de casa. Esta seria a explicação para a acentuada queda de rendimento ofensivo do time quando atua na condição de visitante. “Temos muitos garotos no ataque. O Dennys e o Waldir, por exemplo, ainda não estão sabendo usar a velocidade que possuem”, comentou o maior goleador da história do Paraná, com 104 gols.

Para Saulo, o time está em plena evolução. “No estadual, tínhamos muita dificuldade para marcar gols. No brasileiro, já foram 15, sendo que 12 em casa”, disse. “Mas, esta evolução não acontece da noite para o dia. É questão de tempo e muito trabalho. Creio que logo eles estarão fazendo gols também nos jogos fora de casa e garantindo assim maior tranqüilidade para o grupo.” O treinador de atacantes vem aproveitando o tempo disponível para trabalhar fundamentos e dar orientações aos atacantes com base na sua experiência de campo. “Futebol é repetição. Só treinando incansavelmente chutes e cabeceios, o atacante tem confiança na hora que a bola rola pra valer”, assegurou.

O centroavante Flávio Guilherme vem recebendo atenção especial neste trabalho. Após se destacar como artilheiro na Copa João Havelange, Flávio fracassou no Vitória e desde que voltou está lutando por um espaço no clube. Primeiro, o obstáculo era Márcio. Agora, Renaldo. Em todo esse processo, falta ao jogador a confiança perdida após quase um ano parado devido à uma cirurgia no púbis. “Talvez tudo isso contribua. Mas, para um atacante, só tem uma resposta: gols”, diz Saulo. “Quando o Flávio fizer um ou dois gols importantes, vai ter a chance de provar seu potencial. Pois, ele possui uma das melhores finalizações deste grupo.”