Na última terça-feira, Dado Cavalcanti trocou a coletiva por um pronunciamento. Ao invés de analisar a sétima vitória do Paraná Clube na Série B, preferiu pedir o apoio dos “verdadeiros paranistas” para tirar o clube de uma caótica situação financeira. O treinador acredita que fez o certo, no momento necessário. “Ainda há tempo de corrigir essa questão para que possamos voltar as atenções apenas para os jogos e para o objetivo de chegar à Série A”, disse Dado, em seu primeiro contato com a imprensa pós-desabafo.

“Na terça, senti que precisava fazer algo. A situação já estava interferindo no ambiente. Fiz o que julguei ser o melhor para o Paraná”, afirmou. O treinador garante estar completamente engajado nesse processo de resgate do Tricolor. “Se o que podemos fazer é buscar as vitórias é o que faremos. Talvez tenha aumentado ainda mais a nossa responsabilidade, mas precisava fazer isso, pelo bem daqueles que passam maiores dificuldades”, comentou, referindo-se aos funcionários mais humildes, que convivem com dois meses de salários atrasados.

O gesto do treinador uniu ainda mais o grupo. “No dia seguinte, fui cumprimentado por porteiros, seguranças e outros funcionários. Chego cedo e sempre encontro tudo arrumado, os uniformes prontos, o cafezinho na mesa. É por essas pessoas que a gente precisa lutar”.

Dado não esconde o receio de que essa situação possa resultar na perda de peças. “Já tive que segurar alguns jogadores. Meu esforço é no sentido de fazer com que possamos ir até o fim com esse grupo, que é muito bom, comprometido e competitivo”. O técnico sabe que o seu poder de convencimento tem limites e por isso espera uma solução imediata para esses problemas quase que crônicos. “Sei do esforço de toda a diretoria para conseguir resolver essa questão. Vamos seguir trabalhando e lutando”.

Os jogadores também aprovaram a forma transparente com que Dado lidou com uma situação delicada. “Esses atrasos podem não interferir no jogo, mas atrapalham durante a semana. Nós, mais experientes, tivemos que orientar os mais jovens, muitas vezes”, lembrou o atacante Reinaldo. “Não consigo entender como um clube como o Paraná, que é time grande, não consegue um patrocinador master”, comentou. “Temos o compromisso de recolocar o Paraná na Série A e vamos seguir firme nesse objetivo”, concluiu.