Dentro de campo, o futebol apresentado por Paraná Clube e Atlético na manhã de domingo (27), na Vila Capanema, não empolgou. O empate sem gols ficou longe de ser um resultado bom para os dois times. Mesmo assim, o jogo válido pela sétima rodada do Campeonato Brasileiro de 2018 ainda rendeu imagens que ficarão para a posteridade. Daqui dez ou vinte anos, será possível relembrar daquele clássico sem gols e com torcida única graças aos registros feitos pelos repórteres fotográficos que estavam trabalhando na partida.

Dois desses profissionais que atuam no jornalismo esportivo terão um motivo ainda mais especial para levar o momento para a posteridade: Albari e Felipe Rosa, pai e filho, que trabalharam lado a lado na partida e têm em comum a paixão pela profissão de fotógrafo.

Lance do empate entre Paraná Clube e Atlético. Foto: Albari Rosa
Lance do empate entre Paraná Clube e Atlético. Foto: Albari Rosa

“Um bom fotógrafo deve ter perspicácia, controle das emoções, controle da técnica e uma boa dose de sorte”, contou Albari, que há 30 anos vê o mundo pelo olhar de suas lentes.

O fotógrafo tem muito orgulho por seus dois filhos – Felipe e Gabriel – terem seguido seu ofício e por poder trabalhar lado a lado a seu rebento mais velho, já que Felipe e ele trabalham no grupo GRPCOM. Enquanto o pai é um profissional do jornal Gazeta do Povo, o filho é repórter fotográfico da Tribuna do Paraná. Já Gabriel, também segue a profissão da família Rosa, mas mora atualmente na Austrália, onde estuda para se aperfeiçoar.

“Sou feliz por saber que meus filhos seguiram a minha profissão, mas ao mesmo tempo me sinto preocupado e responsável, pois nossa profissão está cada vez mais difícil para encontrar espaço no mercado de trabalho”, disse o profissional, que já cobriu os maiores eventos esportivos do planeta, como as Copas do Mundo de 2006, 2010 e 2014 e as Olimpíadas do Rio em 2016.

Festa da torcida do Paraná Clube na Vila Capanema. Foto: Felipe Rosa
Festa da torcida do Paraná Clube na Vila Capanema. Foto: Felipe Rosa

Ainda que, como todo pai, ele se preocupe com o futuro profissional do filho, o repórter fotográfico – que já fez mais de um milhão de cliques em sua vida – não esconde a felicidade por ter um herdeiro tão talentoso.

“O olhar de fotojornalista é pra poucos e fico feliz pelo Felipe ter se destacado na profissão. Ele tem um olhar jovem e perspicaz e desenvolveu uma boa técnica fotográfica”, disse Albari, que explica o porquê de ser fundamental ter tanta técnica para seguir na área.

“Fotógrafo de jornal não pode errar. Não tem como repetir foto. Não dá pra pedir pra um jogador repetir a jogada. Então a confiança que o profissional passa faz ele se destacar num mercado tão competitivo”, completou. Felipe tem 29 anos é formado em Jornalismo e iniciou na carreira em 2005. Desde então, já foram incontáveis as vezes que esteve ao lado do pai nos momentos de trabalho.

“Acho que no ano passado, no Dia dos Pais estávamos trabalhando junto também, em um jogo do Atlético. Enquanto pais e filhos estavam comemorando em família, nós estávamos trabalhando”, lembrou o profissional, que não esconde o orgulho que tem pela trajetória de sucesso de Albari.

“Comecei trabalhar com fotografia por causa dele. Aonde vou, todos só têm coisas boas para falar sobre meu pai, todos o adoram e idolatram. Todos têm alguma história legal para contar. Me espelho nele”, finalizou o fotojornalista.