O presidente do Sport Recife, Luciano Bivar, revirou o baú e, ontem à tarde, trouxe à tona uma nova polêmica envolvendo o futebol brasileiro. A história respinga diretamente em dois personagens do futebol paranaense. Um é o ex-jogador Leomar, revelado pelo Atlético, que, segundo o dirigente do time pernambucano, teria sido convocado para disputar a Copa das Confederações de 2001 pela Seleção Brasileira graças ao pagamento de propina para uma pessoa fazer lobby junto a integrantes da CBF. O outro é Antônio Lopes, que na época era o diretor de futebol da confederação e hoje desempenha a mesma função no Atlético.

Bivar detonou o escândalo em entrevista, para a rádio Transamérica de Recife. “Existe uma confraria de executivos de futebol. Todos são malandros, empurrando bucha de canhão um em cima do outro. Já usei esse expediente e já empurrei jogador para a Seleção Brasileira, dando comissão, na época do Leomar. Sei como funciona isso. No Brasil, quando eles querem, eles conseguem colocar os jogadores em qualquer lugar”, disse.

Leomar recebeu com surpresa a notícia e afirmou que desconhece qualquer manobra dos bastidores que o fez vestir a camisa do selecionado brasileiro. “Se realmente aconteceu é preciso tirar satisfação dele (Luciano Bivar). Eu estou fora disso e não estou nem preocupado. Todo mundo que me conhece sabe da minha índole. Se eu soubesse na época não teria aceitado a convocação. Cheguei à Seleção pelo bom momento que vivia no Sport”, disse, em declaração ao Paraná Online.

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Leomar: seis jogos pela Seleção e esquecido após saída de Leão.

Na época em que Leomar foi chamado para vestir a camisa da Seleção, Émerson Leão era o técnico. A opção pelo volante, que até vivia um bom momento no Sport, na época foi muito contestada pela imprensa e pela torcida brasileira. O treinador criticou as insinuações do presidente do Sport e citou que, exceto ele, apenas Antônio Lopes tinha acesso à lista de convocados. Leão disse que entregava a lista de convocados duas horas antes da divulgação para o então diretor de futebol da CBF. “E ele é uma pessoa de altíssima honestidade, inclusive é delegado. Ninguém tinha acesso. Nem o presidente da CBF”, citou o técnico.

Leomar vestiu a camisa amarelinha em seis jogos, todas elas na curta passagem do técnico Émerson Leão pela Seleção Brasileira, em 2001. Antes da Copa das Confederações, o ex-volante atuou no empate por 1 x 1 do Brasil contra o Peru, no Morumbi, pelas eliminatórias da Copa do Mundo e no amistoso contra o Verdy Tókio, do Japão, fora de casa. Pela competição mundial, Leomar, capitão da Seleção, atuou em outras quatro partidas. Na sua passagem pelo selecionado brasileiro foram apenas duas vitórias, três empates e uma derrota. Após o torneio, Leão foi demitido por Antônio Lopes, a pedido de Ricardo Teixeira, presidente da CBF, ainda no Aeroporto em Tóquio, pelo fracasso do Brasil na Copa das Confederações. Leomar nunca mais voltou a ser lembrado para a Seleção Brasileira. Em 2003, o jogador voltou para o Atlético e em 2006 encerrou a carreira.